Sonhando com volta à elite, Americano completa 102 anos de olho no futuro

A luta do Americano segue grande para retornar a Série A do Campeonato Carioca e para isso, o Alvinegro do Parque Tamandaré se inspira na sua história, pois nesta quarta (01/06), o clube completa 102 anos de existência, sonhando em retornar ao lugar de onde nunca deveria ter saído. O Cano está na briga pelo acesso e tem grandes chances de chegar ao Triangular Final da Série B do Estadual pelo segundo ano consecutivo. 

Começo com luta contra Liga Campista
A história do Americano começou em uma discórdia. No mês de abril de 1914, o America, que era o atual campeão Carioca, esteve em Campos para jogar contra um combinado local. O jogo deveria ser contra uma equipe formada pelos melhores jogadores da cidade, mas o presidente da Liga de Futebol Campista, Múcio da Paixão, resolveu que o time teria dois jogadores de cada time da cidade, o que não foi aceito por muitos dos atletas que acabaram formando outro time para enfrentar o Rubro, contrariando a vontade do dirigente.

O combinado liderado por Luiz Pamplona, do Rio Branco, Nelson Póvoa, do Aliança, e Sinhô Campos, do Luso Brasileiro, se reuniram no centro da cidade, escalaram o selecionado, fato que foi apresentado e não aceito pela Liga, que ameaçou puni-los, caso a partida fosse realizada. Porém, os jogadores não se intimidaram, jogaram contra o America e o placar final foi de 3 a 1 para o time rubro. A equipe da Liga de Futebol Campista acabou sendo goleada por 6 a 0. 

Entretanto, depois da partida, surgiu a ideia de formar um novo clube de futebol na cidade. Em uma reunião em um hotel da cidade, o zagueiro americano Belfort Duarte, quando soube do movimento logo sugeriu o nome de America para o novo clube, o que foi de muito agrado. Mas por intervenção dos irmãos Bertoni, uruguaios que jogavam no Rio, e que ficaram em Campos por uns dias como convidados dos irmãos Pamplona, o clube se chamaria Americano Futebol Clube, nome de um clube de São Paulo, pelo qual os uruguaios haviam jogado e que tinha fechado as portas sem conhecer o desgosto de uma derrota sequer. A ideia logo conquistou os adeptos e esse foi o nome de batismo do novo clube.

A data de fundação foi 3 de maio de 1914 e as cores adotadas foram o preto e o branco em homenagem ao Saldanha da Gama, clube do qual todos eram sócios. O Rio Branco, que teve a perda de oito jogadores para o Americano, foi o escolhido para ser o primeiro adversário oficial, em jogo que ocorreu a 12 de maio, com vitória do Alvinegro do Parque Tamandaré por 4 a 1. Anos depois, a diretoria do clube decidiu comemorar o aniversário do Cano no dia 1 de junho. 

Primeiras conquistas
Em 1920, o Americano foi campeão do primeiro Torneio Preparatório do Brasil. No mesmo ano, o Alvinegro do Parque Tamandaré teve dois jogadores convocados para a Seleção Brasileira, Soda e Mario Seixas. ainda em 1920, o Cano disputou uma partida amistosa contra o Uruguai, que viria a ser bicampeã olímpico em 1924 e 1928, e campeão do mundo em 1930, e o placar foi 3 a 0 para o Cano. Em 1930, outro jogador alvinegro foi convocado, mas para disputar a primeira Copa do Mundo: Poli, que inclusive foi homenageado com uma placa no Hall Social do clube. 

O Americano só passou a disputar o Campeonato Carioca em 1976, pois antes o clube disputava o Campeonato Fluminense, do estado do Rio de Janeiro, antes da fusão com o Estado da Guanabara. Ao todo, o Alvinegro do Parque Tamandaré já conquistou 27 Campeonatos Campista, onde por duas vezes ganhou nove títulos seguidos, seis Campeonato Fluminense e cinco Taça Cidade de Campos dos Goytacazes. 

Aparição no cenário nacional e viagens para o exterior
imageNo ano de 1975, o Americano disputou pela primeira vez a Série A do Campeonato Brasileiro. A partir dos anos 1980, fez diversas excursões ao exterior, conseguindo vitórias importantes, como sobre as seleções da Coreia do Sul, da Arábia Saudita, e do Camarões, e os times do Sensea (ING) e do Al-Nassr (EAU). Em 1987, representou o Rio de Janeiro no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, sagrando-se campeão, numa final histórica contra a Seleção de São Paulo, que tinha cinco jogadores da Seleção Brasileira.

Grandes campanhas no início do século XXI
Após boas campanhas no Campeonato Carioca na década de 90, o Americano foi vice-campeão Estadual em 2002, ao perder a decisão para o Fluminense. Porém, o Alvinegro do Parque Tamandaré conquistou a Taça Guanabara e a Taça Rio na ocasião. O regulamento era diferente dos anos anteriores. Se fosse igual, o Cano seria campeão sem a necessidade da final. O clube seguiu fazendo boas campanhas nos anos seguintes, chegando as semifinais das Taças Guanabara e Rio em 2004, e as finais dos torneios em 2006, além do vice-campeonato do primeiro turno do Carioca em 2005

Em 2009, o Americano fez sua melhor campanha na Copa do Brasil, ao chegar às oitavas-de-final, eliminando o Santa Cruz (PE) na primeira fase e o Botafogo na segunda. O Alvinegro do Parque Tamandaré acabou eliminado pela Ponte Preta (SP). No mesmo ano, o Cano conquistou o Torneio Moisés Mathias de Andrade, após derrotar, por 1 a 0, o Mesquita, em pleno Maracanã, com um gol do atacante Kieza, hoje no Vitória (BA), aos 44 minutos do segundo tempo.

Campanhas ruins, rebaixamento e tentativa de volta a Série A
Em 2010, o Americano passou por momentos de dificuldade no Campeonato Carioca. O Cano ficou na zona de rebaixamento por diversas rodadas até a contratação do técnico Toninho Andrade, que levou a equipe a uma arrancada de quatro jogos invictos, escapando da queda. No ano seguinte, faz uma péssima Taça Guanabara, terminando em sétimo lugar no seu grupo, com apenas cinco pontos ganhos. Entretanto, se recuperou na Taça Rio, ficou em terceiro na sua chave. Mas, no dia 15 de abril de 2012, após péssima campanha, o rebaixamento que já vinha se desenhando nos anos anteriores aconteceu. O Alvinegro do Parque Tamandaré foi o último colocado no Estadual e foi rebaixado pela primeira vez em sua história. 

Nos anos de 2013 e 2014, o Americano fez campanhas medianas na Série B do Campeonato Carioca e passou longe do acesso. Em 2015, a história foi totalmente diferente, mas sem final feliz. O Alvinegro do Parque Tamandaré chegou às finais das Taças Santos Dumont e Corcovado, perdendo a primeira e vencendo a segunda, ambas disputadas contra a Portuguesa. Porém, no Triangular Final, o Cano acabou ficando atrás da própria Lusa e do America, e não conseguiu o tão sonhado retorno a primeira divisão.

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Este ano, o Americano acabou eliminado na semifinal da Taça Santos Dumont pelo Nova Iguaçu. No segundo turno, está na terceira colocação do Grupo A, mas com os mesmos 13 pontos do líder Audax e do vice-líder Itaboraí. Como ainda encara o Laranja Meritiense e a Águia do Leste Fluminense tem um jogo a mais, o Cano, que ainda luta com o ADI pela melhor campanha na classificação geral, depende apenas de si para chegar a semifinal. 

Godofredo Cruz e espera por novo estádio
O Estádio Godofredo Cruz foi inaugurado em 24 de janeiro de 1954, e por muito tempo foi o maior estádio de futebol do interior do estado do Rio de Janeiro. Já chegou a receber cerca de 25 mil torcedores, mas em suas últimas partidas, não suportava mais de dez mil expectadores. Um dado curioso é que a partida inaugural não contou com o Americano. O jogo foi entre Bangu e Goytacaz, maior rival do Cano, e o Alvirrubro venceu por 4 a 1. 

No dia 21/08/2013, de forma oficial, foi assinada a escritura de compra e venda, em forma de permuta, da sede do Americano, no estádio Godofredo Cruz, para a empresa Imbeg. Porém, em troca da venda, o Alvinegro do Parque Tamandaré ganhou um CT moderno, no distrito de Guarús, e ainda ganhará um estádio com capacidade para oito mil torcedores.

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