Formato do Carioca divide opiniões entre clubes de menor investimento

Opiniões das mais diversas foram observadas no auditório da FFERJ, nesta terça-feira (1), durante o Arbitral que definiu a tabela e o regulamento do Campeonato Carioca deste ano. Os clubes de menor investimento acabaram sendo os mais afetados, já que o rebaixamento será definido sem a interferência dos clubes grandes. A frase preliminar terá seis times (dois vindos da Série B), onde os dois melhores vão à etapa principal, enquanto os outros quatro jogarão em pontos corridos para definir os dois times que caem. Estes jogam a Segundona já no ano que vem, o que não acontecia desde 1999.

O regulamento foi aprovado de maneira unânime, mas depois de muita discussão e debate envolvendo os lados pró e contra as radicais mudanças. Acabou fazendo a diferença a medida da FFERJ em bancar as despesas de toda a fase preliminar, além de pagar R$ 500 mil a cada clube pela participação nesta etapa, além de mais R$ 300 mil de cotas televisivas, mesmo que estes jogos não venham a ser transmitidos pela TV. Com isso, cada clube fatura R$ 800 mil em cinco jogos. Em caso de classificação à etapa principal, uma nova quantia será dada pela entidade aos dois qualificados.

Outros pontos controversos no regulamento chamaram a atenção, como os campeões dos turnos (Taça Guanabara e Taça Rio) se classificando à semifinal do Campeonato Carioca, e não à final. Tudo para se encaixar nas 17 datas em que um Estadual deve ser disputado, de acordo com as normas da CBF. A mudança radical só pôde acontecer depois que a FFERJ acionou o Conselho Nacional do Esporte (CNE), uma vez que alterações no formato de um campeonato estadual só podem acontecer após dois anos.

De um lado, alguns clubes viram de maneira positiva as alterações. O gestor de futebol do Boavista, João Paulo Magalhães Lins, esbanjou confiança em uma guinada do Estadual do Rio:

- Estou satisfeito com a união do futebol carioca. O regulamento foi aprovado por unanimidade, todos os clubes entenderam e concordaram. Ponto a ponto, tudo foi lido e debatido. Tenho certeza que o Carioca dos próximos anos será sucesso absoluto. A transformação do futebol carioca será caso de estudo porque o Rio de Janeiro vai se transformar no maior campeonato do Brasil.

O próprio presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), Rubens Lopes, sustentou que Nova Iguaçu e Campos, vindos da Série B, conquistaram o acesso, mesmo que, na prática, eles possam não enfrentar 10 dos 16 clubes da competição e, no caso de serem rebaixados, jogarem a Segundona novamente já no ano que vem. Rubinho chegou a comparar a fase preliminar do Estadual à Copa Libertadores da América.

- O CNE não se opôs à mudança. Isso significa que nós respeitamos rigorosamente o que a legislação manda. Fizemos o que todos queriam: reduzir o número de clubes. E isso aconteceu através do entendimento. Essa decisão de que haveria duas fases já vem estabelecida desde 2015. Ficou decidido que haveria uma fase principal com 12 times. O próprio regulamento da Série B diz que os dois melhores colocados teriam acesso à Série A. E eles efetivamente o tiveram, apenas com duas etapas, como na Libertadores - disse.

Ironia de Eurico: "Quem chega, não pode sentar na janela"
Mesmo com o regulamento unanimemente aprovado, não foram poucas as reclamações, sempre vindas dos clubes de menor investimento. O presidente do Vasco, Eurico Miranda, não teceu grandes comentários sobre a fórmula de disputa, mas comentou com ironia as eventuais discordâncias e afirmou que os clubes de menor investimento deveriam acatar às sugestões dos mais tradicionais.

- Tem um filósofo chamado Romário que diz que, quando a gente chega, não pode sentar na janela. É assim. Eles (os clubes de menor investimento) começam a entender o seguinte: "Vamos chegando devagarzinho, têm alguns com direitos adquiridos" e tal. Aí, chegou-se a uma unanimidade e não houve nenhuma dissidência.

De fato, alguns dirigentes de clubes de menor investimento aceitaram as mudanças de forma resignada, como o presidente do Macaé, que afirmou que aprovar ou reprovar o regulamento "não era uma escolha", ou Victor Mothé, mandatário do Campos, este afirmando que "teve que acatar o regulamento implantado".

No Bonsucesso, o presidente Zeca Simões soltou o verbo e viu como ingratidão o gesto dos grandes em aprovarem um regulamento nocivo aos pequenos:

- Este é o começo do fim dos pequenos. Mas é a lei da vida, sabíamos que isso iria acontecer um dia, não é novidade. Os clubes grandes precisaram dos pequenos para ser o que são, para se desenvolverem. Infelizmente, hoje eles nos viraram as costas.

Na Portuguesa, o presidente João do Rêgo se mostrou, na verdade, surpreso com as mudanças.
- A gente não esperava esse sistema, não. Mas nos resta aceitar e ir à luta para conseguir chegar à classificação. Não tem como sair disso. Se todo mundo aprovou, a gente também tem que aprovar. O negócio é trabalhar e organizar tudo para chegarmos preparados no Carioca - destacou.

A fase preliminar do Estadual começa em 11 de janeiro.

Fonte: Futrio

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