Raphael Thuin será o presidente da Fundação Municipal de Esportes de Campos

A partir de janeiro, a Fundação Municipal de Esportes de Campos será presidida por um multicampeão. O ex-nadador Raphael Thuin, medalhista de ouro em quatro Copas do Mundo, foi o escolhido de Rafael Diniz para assumir o cargo. Até então, Thuim era subsecretário de Esportes em Rio das Ostras.

Na tarde desta sexta, ele foi entrevistado no “Folha no Ar”, da Plena TV, e falou à Folha da Manhã sobre os motivos que o levaram a aceitar o desafio, seus planos para o esporte campista, com destaque para a necessidade de investir nas categorias de base. Thuin lembrou momentos marcantes de sua vida, como ter conduzido a Tocha Olímpica em Rio das Ostras.
Felicidade por voltar às raízes - O convite foi meio que uma surpresa. Já conhecia o Rafael, gosto muito dele e estava torcendo muito. Estou muito feliz de voltar. Eu tenho uma história grande em Campos. Fiz projetos sociais aqui, larguei os Estados Unidos para voltar pra Campos. Mesmo nadando pelo Flamengo, eu tinha um patrocínio de Campos. Então, poder voltar para minha raiz e fazer algumas coisas que aprendi mundo a fora, usar a experiência para o bem, é muito bom. Estou feliz.

Resgatar o passado - A gente tem que resgatar os velhos tempos como um todo. Não só em Campos, mas em todo o interior do Estado, se compararmos como era o esporte no passado e como é hoje, eu acho que andou para trás. Isso tem a ver com princípios humanos e políticos. O esporte é uma coisa que muda o futuro de uma criança, de uma geração, e começou a ser deixado em segundo plano. Os gastos públicos são cada vez mais altos, e coisas essenciais foram deixadas de lado.

Grandes sonhos - A gente não pode olhar só o lado ruim da moeda. Existem projetos bons, pessoas maravilhosas, mas existe também uma carência muito grande. O esporte foi deixado de lado por muito tempo. Se tem problema de saúde, de educação, o esporte é deixado de lado. E não é assim, pelo contrário. A Organização Mundial de Saúde diz que “a cada dólar investido no esporte, são quatro dólares economizados na saúde a médio e longo prazos”. O que eu vejo hoje no esporte em Campos, é que tem que melhorar muito. Vamos melhorar o que tem de bom e ampliar. Estou com grandes sonhos para o esporte em nossa cidade.

Foco na formação - A base é o maior problema do esporte, não só em Campos, mas em todo o país. Temos exemplos de Estados Unidos, China e Rússia, que investem na base, para depois peneirar os melhores e formar atletas, o que é a lei natural. Já o Brasil vive de talentos que surgem por conta própria. A média americana dos alunos que fazem esporte é de 86%. A chinesa deve bater 95%, a coreana 98%. No Brasil, não chega a 15%, considerando projetos de prefeituras e escolas, nos quais a criança realmente tem essa oportunidade. O objetivo é massificar o esporte na cidade, aproveitar essas Vilas Olímpicas, fazer parceria com a secretaria de Educação e dar oportunidades a todos. O esporte é um direito de todos. Com isso, no futuro, a médio e longo prazos, vamos ter um esporte de ponta, porque isso é natural quando se faz a base e dá oportunidades a crianças que nunca tiveram.

Retorno dos Jogos Estudantis - Os Jogos Estudantis vão voltar. Para isso, temos que dar oportunidade de esportes a todos. Daí a importância de uma parceria com a secretaria de Educação, setorizando a cidade, usando as Vilas Olímpicas que estão ficando prontas, as quadras esportivas, e fazendo parcerias com os clubes. Se a gente conseguir fazer, em todos os cantos da cidade, a criança estudar em um turno e no outro praticar esportes, com certeza vão aparecer milhões de talentos. A gente tem a obrigação de dar a oportunidade.

Esportes paralímpicos - Tem um projeto que eu vou levar comigo onde for, que é o “Paraesporte” (implementado em Rio das Ostras). Eu sou embaixador da “Olimpíadas Especiais Brasil”, que é uma entidade voltada para pessoas com deficiência intelectual e também atende pessoas com deficiência física. Já conversei com a presidente e falei que vou trazer para cá, ter uma sede aqui. Eu sei que tem equoterapia na Prefeitura, mas quero pulverizar isso na cidade. É uma coisa que, com certeza, eu vou fazer, entre outras.

Apoio aos atletas de ponta - O primeiro ano vai ser difícil. Todo ano de mudança de governo não é fácil, ainda mais com a crise que estamos vivendo. Não vamos entrar fazendo mágica nenhuma. A ideia é ver a realidade, espalhar a base e, ao longo dos próximos anos, ter esportes de ponta. Existem esportes tradicionais como o ciclismo, o remo, a natação, que foi abandonada, entre outros, que já têm competidores que vamos ter um olhar diferente da base. Vamos buscar recursos através de leis de incentivo e patrocínios, não podemos ficar reféns só à verba da Prefeitura no meio de uma crise dessa. Temos que ter consciência e a população entender isso. Mas, é um projeto audacioso pensando a médio e longo prazo. Queremos fazer vários eventos, até para fomentar o turismo e a economia da cidade.

Bolsa Atleta - É um tema bem polêmico. O Bolsa Atleta vai ser totalmente reavaliado. Quem merece, vai ter. Quem não merece, não vai ter. A ideia é incentivar um possível campeão, ou um já campeão, porque a gente sabe das dificuldades de cada atleta. Eu passei por dificuldades. Mas, vai ser avaliado em cima das condições do atleta em rankings, com resultados, e não a pedidos. Vou ser muito firme com o Bolsa Atleta. Quem merecer, vai ganhar.

Apoio aos clubes de futebol - Estamos em uma fase de transição. Ainda não sei os dados, os convênios que existem e as contas a pagar. Estou aguardando alguns dados para dar andamento. A gente não consegue bancar, mas, no que a Prefeitura puder apoiar, em qualquer tipo de esporte, vamos apoiar. Como a gente vai ver daqui para frente. Eu ainda não conversei com ninguém do futebol, mas é um esporte nacional. Eu brinco que existe a secretaria de Esportes e a de Futebol, porque temos que olhar com um carinho muito grande, pois é o carro chefe. Vamos correr atrás de projetos, usar a força da Prefeitura para ajudar. Somos a favor de todos os times de futebol, e do esporte. Não tem A, B, ou C. Pelo contrário, a gente quer que todos tenham sucesso, porque o nome de Campos que é levado para frente.

Emoção de carregar a Tocha Olímpica - Carreguei a Tocha Pan-Americana e a Olímpica. Eu tenho uma peculiaridade com a Olimpíada, porque participei de três eliminatórias. Na última, durante a eliminatória, eu descobri que tinha um tumor. Parei de nadar em 2004, tinha ganhado as duas últimas Copas do Mundo, estava no Top-10 Mundial, com grandes chances de me classificar, mas descobri que tinha o tumor e operei. Estou muito bem hoje, graças a Deus, mas fiquei com aquele gostinho. Foi a única competição do mundo que eu não participei. Então, quando carreguei a Tocha Olímpica, foi uma emoção muito grande. Naquele momento, naquele exato segundo, eu era a única pessoa do mundo a carregar a Chama Olímpica. Foi muito marcante.

Fonte: Folha da Manhã

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