Estádio Aryzão, o caldeirão do Goytacaz, completa 80 anos de fundação

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O Aryzão, agora, é um "oitentão". Nesta terça-feira (9), o estádio do Goytacaz completa 80 anos de sua inauguração e de uma história fundamental para o futebol da cidade de Campos. O campo da Rua do Gás – que já existia desde muito antes – foi de tudo um pouco nas últimas décadas: principal estádio da cidade nas primeiras décadas, alçapão alvianil em jogos contra os adversários e até "salão de festas" para o rival Americano. Porém, acima de tudo, é o local em que o torcedor do Goyta se sente em casa e do qual se orgulha. Afinal, chegar aos 80 ainda impondo respeito não é mesmo para qualquer um.

O Estádio Ary de Oliveira e Souza foi batizado assim em homenagem ao presidente do Goytacaz. Já consagrado como casa do Goyta, foi inaugurado oficialmente em 9 de janeiro de 1938. Naquele dia, o Alvianil fez um amistoso contra o eterno rival Americano e venceu por 3 a 1. O primeiro gol, no entanto, foi alvinegro: de Poly. Quando foi erguido, o Aryzão era o maior estádio de Campos e chegou a ser chamado de "Estádio da Cidade" até a inauguração do Godofredo Cruz, em 1954.

Na Rua do Gás (como chamava-se a atual Rua dos Goytacazes na época da inauguração), o Goyta fez valer sua força. No início da década de 40, o time conquistou o tetracampeonato campista entre 1940 e 1943, graças a importantes vitórias em casa e à geração de Rebolinho, Vavá, Crespo e Amaro. A fartura de taças seguiu na década seguinte, com direito a uma emocionante decisão em 1953, em que o Goytacaz bateu o Rio Branco por 1 a 0 no Aryzão para ser campeão da cidade.

Em 1959, uma grande reação do Goyta no campeonato permitiu mais um título em casa, com duas vitórias sobre Rio Branco e São José. Mas nenhuma decisão foi tão emocionante quanto a de 17 de março de 1967. Valendo ainda pelo campeonato do ano anterior, a final teve o gol de Carlos Augusto dando o supercampeonato campista ao Alvianil, num empate com o Americano, debaixo de forte temporal e diante de quase 20 mil pessoas. Dali em diante, porém, uma rotina incômoda para o torcedor azul estaria começando.

O eneacampeonato campista do Americano, recorde absoluto, foi talhado principalmente com decisões no Aryzão. Em 1967, ano da primeira conquista da série, os alvinegros bateram o Goyta por 2 a 1 e fizeram a festa. Dois anos depois, o Americano até perdeu para o Goyta, mas deu a volta olímpica mesmo assim. A festa preta e branca dentro da Rua do Gás se repetiu em 1970, 1971 (com o título da Taça Cidade de Campos) e 1974. Os feitos fizeram o torcedor alvinegro referir-se ao Aryzão, de maneira irônica, como "salão de festas".

No entanto, o Americano também passou maus bocados no estádio, mas pelas mãos do surpreendente Sapucaia, que foi campeão fluminense em 1975 em cima dos alvinegros. Aliás, o Goyta tem mais motivos para se considerar soberano em decisões contra os rivais dentro do Aryzão. Com quatro títulos campistas, um do Torneio Municipal de 1971 e mais outro da Taça Cidade de Campos, é o Goytacaz que leva vantagens em decisões contra os alvinegros: seis títulos contra quatro.

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Dentro do Aryzão, o Goytacaz também teve vitórias históricas contra grandes times do país. Em 1978, derrotou o poderoso Palmeiras (SP) por 2 a 1, pelo Brasileirão. Foi a partir deste momento da história, com a unificação dos Campeonatos Carioca e Fluminense e a oportunidade de enfrentar os grandes do Rio, que o Estádio Ary de Oliveira de Souza se transformou num alçapão ainda mais conhecido para os de fora de Campos. Botafogo, Vasco, Fluminense e Flamengo foram todos vítimas quando atuaram no Norte Fluminense.

A derrocada do Goytacaz a partir dos anos 90 fez o Aryzão perder público, mas charme e tradição se mantiveram intactos. Na virada do século, com as boas campanhas do time na Segundona do Carioca, o estádio voltou a receber torcedores e virou território mais hostil do que nunca para os rivais. A equipe chegou a ter a maior invencibilidade do Brasil em seu próprio estádio (36 jogos sem perder, entre 2012 e 2015). Atualmente, a equipe ostenta uma marca para lá de intimidadora, a de ter perdido apenas sete vezes nos últimos 100 jogos que fez no próprio campo. Marca que promete levar à frente no jogo desta quarta, contra o Resende, pela Seletiva.


Vitórias do Goytacaz sobre os grandes no Aryzão (entre parênteses, autores dos gols):

27/04/1963: Goytacaz 3x2 Vasco (Jarbas [2] e Odir)
04/04/1976: Goytacaz 1x0 Botafogo (Zé Neto)
03/06/1979: Goytacaz 3x2 Vasco (Lino, Manuel e Zé Neto)
12/08/1979: Goytacaz 1x0 Fluminense (Elmo)
10/07/1983: Goytacaz 2x1 Flamengo* (Petróleo e Gilmar)
13/11/1983: Goytacaz 2x1 Fluminense (Petróleo [2])
15/06/1984: Goytacaz 1x0 Botafogo** (Ademir, contra)
27/10/1985: Goytacaz 2x0 Botafogo (Edivaldo [2])
19/03/1986: Goytacaz 4x0 Fluminense (Sena, Leandro, Clóvis e Ricardo Lopes)
14/02/1987: Goytacaz 2x0 Botafogo (Zó [2])
29/03/1987: Goytacaz 1x0 Fluminense (Zó)
14/10/1991: Goytacaz 2x1 Fluminense (Gilmar e Marcos)

* única vitória sobre o Flamengo na História
** estreia de Abel Braga, ainda como jogador, pelo Goytacaz

Fonte: FutRio

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