Josué fala sobre pressão constante, adversário da vez e ascensão de jovens

Contratado com a missão de levar o Americano de volta à elite do Campeonato Carioca, Josué Teixeira sabe bem a pressão que lhe acompanha. Nada que assuste um treinador não calejado no futebol nacional, dono de um título nacional pelo Macaé, na Série C. No entanto, o sonho da volta à elite parece não caber mais dentro do torcedor, o que gera responsabilidade dobrada dentro das quatro linhas.

O Americano levou três jogos para vencer a primeira na Segundona Estadual. O triunfo sobre o Santa Cruz, por 3 a 0, trouxe, enfim, o reflexo do que vinha sendo feito em campo. É no que acredita Josué. Pela primeira vez, o resultado acompanhou o nível de apresentação, conforme explica o comandante.

- Na primeira rodada, tínhamos outro jogo importante na Série D e preferi dividir o grupo. O segundo, contra o Barra, dominamos o jogo todo. O adversário deu dois chutes a gol e fez um gol. Nós tivemos várias oportunidades, mas não vou tirar o mérito do adversário, que teve uma postura tática defensiva interessante. Mas dominamos o jogo para ganhar. Só que futebol é bola na rede. É o que você ganha. Se não ganha, começa a ser falado. Time grande, que é o favorito, se não vence, ele é cobrado, criticado. Enfrentamos o Santa Cruz sabendo da dificuldade, foi uma logística difícil, como vai ser de novo no sábado. Sabíamos disso. Era importante essa vitória.

- Pressão existe no futebol a todo momento. Eu não sou unanimidade. Tem gente que não gosta de mim, tem gente que não gosta do Americano. O que seria do mundo se não tivesse o diferente? A pressão existe. O Americano quando entra numa segunda divisão é um dos candidados a subir.

Sampaio pela frente
No sábado o Americano vai até Saquarema encarar o Sampaio Corrêa, no confronto que reúne dois times, considerados por muitos, os grandes favoritos ao acesso. Durante o duelo contra o Santa Cruz, o técnico Antônio Carlos Roy, do Sampaio, esteve no Marrentão observando. Josué Teixeira não fica atrás. Demonstra conhecer bem a equipe adversária, comandada pelo amigo Roy.

- O Roy aproveitou muito bem a base que tinha na Cabofriense, na primeira divisão, e trouxe alguns jogadores que ele já conhece, que encaixam no time dele. A mudança é o Léo Guerreiro no lugar do João Carlos, mas com um estilo parecido. Jogador de referência, que tem as movimentações dele por trás, com os jogadores de meio.

- É um treinador que acompanha, tem sucesso também, um amigo. A gente sabe que hoje, no futebol, ninguém esconde. Muita gente acha desnecessário, mas acho importante que se acompanhe, sabendo como joga o adversário. Claro que isso não te dá a certeza da vitória, mas te prepara para um jogo onde é importante estar preparado.

Garotada conquistando espaço
Apesar de ter um elenco com peças experientes, o Alvinegro também vem abrindo espaço para jovens atletas. O zagueiro Kadu (21 anos) e o meia Bruno Vianna (20 anos) tiveram atuação destacada contra o Santa Cruz e parecem se firmar entre os titulares. Fernando, atacante de 20 anos, ganhou espaço na Série D, apesar de ter sido poupado na última partida da Segundona. Garotada que vai conquistando terreno e elevando a moral com o professor Josué.

- O Bruninho é um jogador da base que pouco jogou. Ninguém apostava no menino. Achavam que por ser filho de deputado ele não tem necessidade de ser jogador de futebol. E eu mostrei para ele que ele precisa ser jogador de futebol, ou então ser secretário do pai dele. Aqui dentro, ele tinha que competir e jogar. E ele fez. O Fernando não utilizei porque estava vindo de um cansaço grande e preferi dar uma preservada nele para o jogo de sábado - conta o técnico, que ainda rasgou elogios a outro atleta.

- O Kadu é um jogador que tem base do Vasco e do Fluminense. Veio de uma lesão ano passado, ficando um bom tempo sem jogar. Tentei levar ele para o Macaé, para jogar a Seletiva, mas ainda estava se recuperando da lesão. Quando esteve apto, o pessoal do Fluminense me ligou, pela relação que tenho com o clube, e me indicaram de novo. Trouxe e mesmo assim ele voltou ainda sem estar em condições. Agora sim está começando a ganhar um ritmo. É um zagueiro técnico, mas que sabe ser duro, tem tempo de bola ofensivo e defensivo muito bom, e a gente fica feliz de estar aproveitando esses jogadores e dando oportunidade.

Chega de bater na trave
O Americano passou perto do acesso nas três últimas edições da segunda divisão do Rio, mas não o sacramentou, de fato. Josué Teixeira pede calma e alerta: não adianta se precipitar. O planejamento que vem sendo colocado em prática foi muito bem montado, garante.

- A gente está encaixando. O Americano, nos dois últimos anos, brigou em cima e não chegou. Não adianta estar durante a competição no ápice e no final não conseguir. Estamos em ascensão, estamos com calma, com um projeto bem planejado, bem organizado, e agora é só ter o resultado de campo.

Em busca da segunda vitória seguida na Série B1, o Americano encara o Sampaio Corrêa neste sábado (9), às 15h, no Estádio Lourival Gomes de Almeida, em Saquarema. 

Fonte: FutRio

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