Sob desconfiança, Rússia e Arábia Saudita abrem Copa do Mundo em Moscou


Para boa parte do planeta, esse é o jogo mais fraco da história da abertura das Copas do Mundo. Mas, em casa, os russos preferem ver o copo de vodca pela metade cheia. Sem vencer há sete partidas, a anfitriã despencou para a 70ª posição do ranking da Fifa, resultado que a transforma na pior classificada entre as 32 participantes desta edição. Do outro lado está uma adversária que parece definida sob medida para afastar a crise. 

Segunda pior, a Arábia Saudita surge em 67º lugar. Uma classificação que induz a interpretações equivocadas: sob o comando do argentino Juan Antonio Pizzi, contratado em novembro, os asiáticos se tornaram um time mais seguro no controle da bola e aplicado nos contra-ataques. Esse estilo de jogo pode funcionar como uma armadilha para os russos, pressionados pela necessidade de vitória na estreia: um tropeço os faria depender de uma improvável vitória sobre o Uruguai para chegarem às oitavas de final.

As semelhanças entre Rússia e Arábia se limitam às classificações ruins no ranking. Com maior média de altura, jogadores mais habilidosos e experientes que os do elenco saudita, predominantemente formado por atletas da liga doméstica, os russos contam com uma superioridade técnica que não tem se refletido em resultados, enquanto os adversários apresentaram desempenho mais consistente nos amistosos preparatórios. No cargo desde 2016, o treinador russo Stanislav Cherchesov conhece há mais tempo as deficiências de seu elenco que Pizzi, o que pode contribuir no momento de fazer ajustes.

A FACE DOS ANFITRIÕES
Igor Akinfeev: Aos 32 anos, o dono da camisa 1 carrega no currículo um único clube: o CSKA. A carreira do maior ídolo da seleção russa é um manancial de contrastes: seus 245 jogos sem sofrer gol são um recorde no futebol russo. No entanto, o jogador também traz na bagagem uma marca indesejável: foi superado em 43 jogos consecutivos da Liga dos Campeões. A sequência só foi interrompida em novembro do ano passado, quando o CSKA superou o Benfica por 2 a 0, ainda pela fase de grupos.

Aleksandr Golobin: O meia-direita de 22 anos nasceu na pequena e isolada cidade de Kaltan, o que lhe rendeu o apelido carinhoso de "Diamante Siberiano". O fato de ser o jogador mais jovem da equipe reforça seu status de joia, sustentado por um amplo repertório de habilidades: seguro, é considerado implacável nas finalizações e distribui passes de qualidade sem sentir qualquer pressão.

Fedor Smolov: Há poucos anos, o atacante era mais conhecido pelo relacionamento que mantinha com a modelo russa Victoria Lopyreya que pelo desempenho em campo. Rápido e técnico, marcou 14 gols em 22 partidas disputadas pelo Krasnodar na última temporada do campeonato russo e surge como opção para um setor problemático da equipe.
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A ARTE DOS DESAFIANTES
Al-Sahlawi: Os 16 gols marcados nas 15 partidas das eliminatórias asiáticas fizeram de Al-Shalawi o maior artilheiro do torneio qualificatório continental, aos 31 anos. A marca de gols (1,06 por jogo) impressiona, mas o nível técnico dos adversários provoca desconfiança sobre a capacidade de finalização do atacante. Metade de seus gols foram anotados contra o Timor Leste. Contra as principais potências continentais, só balançou a rede da Austrália. É o momento de testar o real poder de fogo do jogador do Al-Nassr.

Yaya Al-Sheri: A velha máxima "os melhores perfumes estão nos menores frascos" faz sentido na escalação dos Falcões Verdes. O bom futebol do meia do Al Hilal, de apenas 1,64m, rendeu ao atleta de 27 anos o apelido de "Messi Saudita". Um acordo entre a federação local e a liga espanhola o colocou no Leganés onde, desde janeiro, pode observar mais de perto as atuações do ídolo argentino e aprender, em uma rara oportunidade de intercâmbio esportivo para atletas nascidos na Arábia.

Fawad Al-Muwallad: A presença de três jogadores de ataque entre os destaques da Arábia Saudita representa uma mudança de concepção de jogo de uma seleção historicamente frágil no setor. Aos 23 anos, o atacante do Al-Ittihad é atleta mais promissor do elenco. Bom finalizador e habilidoso, é frequentemente utilizado na segunda etapa como arma para mudar o jogo contra adversários já extenuados.

O duelo é válido pelo grupo A da competição. Além das duas seleções envolvidas, também fazem parte da mesma chave Uruguai e Egito, que se enfrentam no dia seguinte, na Ecaterimburgo Arena.

As duas equipes tentam quebrar um tabu bastante indigesto. Os russos não sabem o que é vencer em mundiais desde 2002, na Coréia do Sul/Japão, enquanto o último resultado positivo dos árabes foi em 1994.

Essa seleção da Rússia é bastante questionada, apontada por muitos como o pior time em anos. O técnico Stanislav Tchertchesov, em tom bastante bem humorado, disse em entrevista coletiva que espera ‘conseguir manter o emprego’.

A principal esperança dos donos da casa para conseguir fazer boa campanha está no setor ofensivo, é Fedor Smolov. O atacante do Krasnodar, que marcou 14 gols no campeonato russo, é o grande nome ao lado do meia Dzagoev.

Pelos lados da Arábia Saudita, a seleção vem de amistoso satisfatório contra a Alemanha, em que perdeu por 2×1, mas chegou a estar próxima do empate. A tendência é o comandante Juan Antonio Pizzi apostar em formação mais defensiva.

O duelo entre Rússia x Arábia Saudita terá o argentino Néstor Pitana como árbitro. Ele será auxiliado pelos compatriotas Juan Pablo Belatti e Hernan Maidana. Vale destacar que a Copa do Mundo tem a presença do VAR (árbitro de vídeo).

Ficha técnica
DATA: 14/06/2018 – Quinta-feira
LOCAL: Estádio Luzhniki – Moscou/RUS
HORA: 12h (de Brasília)
ÁRBITRO: Néstor Pitana (Argentina)
AUXILIARES: Juan Pablo Belatti (Argentina) e Hernan Maidana (Argentina)

Prováveis escalações

Rússia: Akinfeev; Mário Fernandes, Kudryashov, Ignashevich, Zhirkov; Zobnin Romano, Kuzyaev, Dzagoev, Samedov, Golovin e Fedor Smolov. T: Stanislav Tchertchesov.

Arábia Saudita: Al-Mayouf; Usamah Husawi, Omar Hosawi, Al-Shahrani, Al-Barik; Abdullah Otif, Salman Al-Faraj, Al-Shihri, Taisir Al-Jassim, Salem Al Dosari e Fahad Al-Molad. T: Juan Antonio Pizzi.

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