Léo Itaperuna deixa a Série A do Brasileirão para disputar a Série B

Durou poucos meses a passagem do atacante Léo Itaperuna no Paraná Clube. Um dos jogadores mais criticados nesta primeira parte do Campeonato Brasileiro, o centroavante não faz mais parte do elenco paranista e, a partir de agora, vai disputar a Série B pelo Vila Nova. Por conta do seu baixo rendimento, ele sai do Tricolor e não vai deixar saudades.

Léo Itaperuna chegou em abril depois de se destacar no Campeonato Paulista pelo São Bento. No Paraná Clube, porém, não conseguiu convencer. Pelo contrário. Neste período em que vestiu a camisa paranista, foi um dos mais criticados pela torcida, especialmente nos jogos realizados na Vila Capanema.

No total, disputou 11 partidas e não marcou um gol sequer. Ou seja, não pode nem reclamar de falta de oportunidades e muitas vezes foi defendido pelo técnico Rogério Micale.

O Tricolor, inclusive, já encontrou um substituto para o atleta. Nesta quarta-feira (1), a diretoria paranista acertou a contratação do atacante Rafael Grampola, que estava no Joinville. Apesar da campanha ruim do time catarinense, rebaixado para a Série D, o centroavante conseguiu ser um dos poucos destaques da equipe do Estado vizinho.

HISTÓRIA
Quando saiu do modesto Arapongas, do interior do Paraná, e se transferiu para o Sion, da Suíça, o atacante Léo Itaperuna, revelado nas categorias de base do Fluminense, em Xerém, jamais poderia imaginar que se adaptaria tão bem ao gélido país europeu, e muito menos que teria a oportunidade de jogar ao lado do experiente volante italiano Genaro Gattuso, que defendeu o superpoderoso Milan por 13 anos e foi titular da Azurra campeã da Copa de 2006, na Alemanha.

De infância humilde, Leonardo de Oliveira Clemente, nascido no dia 12 de abril de 1989, em Itaperuna, um pequeno município localizado no noroeste fluminense, viu no futebol a chance de dar uma vida melhor para sua família. Corajoso, o menino não hesitou em deixar a cidade natal com apenas 15 anos para ir atrás do sonho e se aventurar em uma peneira do Fluminense, realizada em Xerém.

Concorrendo com centenas de garotos, Léo foi aprovado pelo ex-lateral-direito Edevaldo “Cavalo” (que disputou a Copa de 1982 pelo Brasil e coordenava as avaliações no Tricolor) e por Edgar Pereira, ex-treinador das categorias de base do clube, e passou a morar no centro de treinamento, longe dos pais e do irmão, com quem dividia um quarto na modesta casa da família.

“Logo no primeiro teste dele percebemos que havia algo de diferente naquele menino. Falei com o Edgar e disse: é o atacante que estávamos procurando, vamos dar uma chance a ele. Ele fez a segunda avaliação e nem esperamos a terceira, aprovamos logo. Colocamos o Léo para morar no alojamento e ele não nos decepcionou. Se dedicava em tempo integral aos treinos, cumpria todo o planejamento estabelecido e sempre foi extremamente educado. Ele merece todo esse sucesso”, avalia Edevaldo, que atualmente exerce o cargo de auxiliar técnico no CT de Xerém.

Depois de passar com destaque por todas as categorias inferiores do Fluminense, Léo Itaperuna foi promovido à equipe profissional pelo então técnico do clube Renato Gaúcho, em novembro de 2007. E, logo na estreia, contra o Figueirense, em Florianópolis, confirmou a saga de artilheiro ao entrar no lugar de Thiago Neves no fim da partida e, mesmo jogando apenas alguns minutos, marcar o segundo gol da vitória tricolor por 2 a 0.

“Aquele foi um jogo especial. Era minha estreia no profissional, tinha batalhado muito por aquela oportunidade e não podia deixar passar em branco. Entrei faltando apenas sete minutos para o fim da partida e graças a Deus consegui fazer um golzinho, ajudando o Fluminense a sair com a vitória”, recordou.

A partir daí, Léo virou um verdadeiro peregrino da bola. No início da temporada seguinte, sem chances no Fluminense, o atacante foi emprestado diversas vezes e passou por Paulista de Jundiaí, América-RJ (onde chegou a fazer dupla de ataque com Romário, em 2009, conquistando o título da Série B do Carioca), CRAC-GO, Duque de Caxias, Cabofriense e Anápolis-GO, até chegar ao Arapongas, no fim de 2011.

Suas boas atuações no clube paranaense – pelo qual marcou 10 gols no Estadual 2012 e foi o quarto maior goleador da competição – chamaram a atenção dos dirigentes do Sion, que lhe ofereceram um contrato de quatro anos e a possibilidade de conseguir a sonhada estabilidade.

“Não entendi o motivo da minha dispensa do Fluminense, até hoje não sei quem definiu isso. Sempre tive um ótimo relacionamento com todos os treinadores, dirigentes, funcionários e com meus companheiros, tanto que ainda tenho grandes amigos lá, mas acredito muito em destino. Amadureci bastante ao passar por todos esses clubes até chegar ao futebol paranaense. Lá no Arapongas tive uma sequencia de jogos, coisa que não acontecia nas outras equipes em que estive depois de sair das Laranjeiras. A partir daí, as boas atuações, os gols e a transferência para o Sion vieram naturalmente. Hoje estou muito feliz aqui e não penso em voltar, pelo menos por enquanto”, sintetiza Itaperuna.


O atacante disputou 10 partidas pela equipe profissional do Fluminense e, em todas elas, teve a companhia do zagueiro Thiago Silva, que hoje está no PSG e é titular da Seleção de Felipão. “O Thiago é fora de série. Tive a oportunidade de jogar ao seu lado no Fluminense e posso afirmar que ele é um zagueiro completo. Nos treinos, era praticamente impossível passar por ele. Além disso, é um cara fantástico fora de campo. Fico muito feliz com o momento que ele está vivendo e torço muito pelo seu sucesso. Quem sabe um dia não jogamos juntos pela Seleção?”, sonha.

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