Americano vive semana decisiva para espantar a "maldição do acesso"


Melhor campanha do campeonato, vantagem de atuar por dois resultados iguais e de atuar em casa no segundo jogo: nunca o Americano teve tantos fatores a seu favor antes de decidir um acesso à Série A do Campeonato Carioca. A semana mais importante do ano já começou para o Alvinegro e pode terminar com a alegria de retornar à elite depois de uma ausência de mais de seis anos. Porém, para isso, o Glorioso precisará quebrar uma escrita que se estende há pelo menos três anos, a de "bater na trave" no exato momento de consagrar-se como classificado à elite.


A partir desta quarta-feira (19/09)o Americano terá o Audax Rio pela frente, em dois jogos. O primeiro será em Moça Bonita e o segundo, três dias depois, está marcado para acontecer em Cardoso Moreira. Basta ao time não levar gols para se classificar para a final da Série B1 e, consequentemente, se garantir na Seletiva da primeira divisão do ano que vem. Ainda assim, os dois jogos mais importantes do ano para o clube virão carregados de uma pressão extra por causa dos consecutivos fracassos em anos anteriores, algo que o elenco atual busca finalmente apagar.

Rebaixado em 2012, o Americano fez campanhas sem brilho nos dois primeiros anos de Segundona. A partir de 2015, no entanto, a coisa começou a mudar. Finalista dos dois turnos, ganhou a Taça Corcovado e chegou ao Triangular Final, mas capitulou num jogo-chave com o America e foi eliminado. No ano seguinte, outra campanha destacada (a melhor entre os 18 participantes) levou a equipe à etapa decisiva, mas uma decisão extra-campo tirou o Cano da disputa, após o vazamento de um áudio do diretor cultural Guito Wagner, sugerindo que o time perdesse para facilitar a entrada de equipes teoricamente mais fracas no Triangular Final.


Mas nenhuma eliminação doeu mais para o torcedor alvinegro do que a do ano passado. Decidindo o acesso contra o Goytacaz, o Americano empatava em 0 a 0, resultado que o favorecia, mas um gol sofrido aos 44 minutos do segundo tempo afundou as esperanças alvinegras e manteve o time mais um ano na Segundona. A "trinca" de eliminações levou a mudanças profundas no clube, que aproveitou a oportunidade para renovar parte de sua diretoria e, principalmente, seu futebol, apostando em um projeto a longo prazo, capitaneado pelo experiente técnico Josué Teixeira.

Até o momento, é justo dizer que este projeto vem dando certo. Em 35 jogos no ano, o Americano venceu 23, empatou cinco e perdeu sete. Seu ataque tem um número de gols comparável ao de times que atuam no mais alto nível do futebol brasileiro: 76 tentos foram marcados em 2018, numa média que supera os dois gols por jogo. A equipe chegou a ganhar 11 jogos seguidos dentro da Segundona, um recorde para o campeonato nos últimos 25 anos. Na Copa Rio, o time também vai tendo performance positiva, estando atualmente nas semifinais. Em 2017, o time foi finalista e só perdeu o título para o Boavista na disputa por pênaltis.

Por todas estas razões, a expectativa e a pressão prometem ser grandes nos 180 minutos que se avizinham. Cabe ao elenco de Josué mostrar que aprendeu com as decepções das temporadas passadas e finalmente fazer história em uma temporada que foi marcada pela quebra de recordes, mas pode se tornar ainda mais gloriosa com o retorno ao mais alto nível do futebol do Rio. Audax x Americano, o primeiro jogo da semifinal da B1, é às 15h desta quarta, em Bangu.

Audax x Americano - 19/09 - 15h
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique
Assistentes: Jackson Lourenço Massarra dos Santos e Wagner de Almeida Santos