Bruno Vianna é mais um jogador a "virar a casaca" no futebol campista

Nesta segunda-feira (12), o Goytacaz passou a contar com um reforço que veio diretamente do seu maior rival, o Americano. O meia Bruno Vianna, de 22 anos, assinou contrato com o clube da Rua do Gás e já se juntou ao elenco comandado pelo técnico Athirson. O fato de ter saído diretamente de um rival para outro pode ter chamado atenção também pelo aspecto de se tratarem de dois times que jogarão a Seletiva do Carioca dentro de 40 dias, mas também configura uma mudança de lado bastante comum no futebol campista ao longo da História.

Na história de Goytacaz e Americano, "virar a casaca" não é nenhum absurdo. Pelo contrário, é até normal. A maior parte dos ídolos dos dois clubes já atuou pelo rival, embora seja artigo raro ser ídolo tanto de azuis quanto de alvinegros. Bruno surgiu nos profissionais do Cano no começo desta temporada, vindo dos juniores, mas o Goyta fez questão de salientar, nas redes sociais, que o jogador já esteve anteriormente no próprio Alvianil, o que seria uma espécie de volta para casa.

O caso de Bruno é um no meio de tantos que transitaram entre os dois lados do Rio Paraíba do Sul. O último tinha sido Nikson, atacante revelado pelo Americano e que esteve no Goytacaz há dois anos. Campeão da Taça Corcovado de 2015 pelo Alvinegro, ele era visto como uma das principais revelações do time num período recente, mas desavenças com a diretoria o afastaram do time às vésperas da Segundona de 2016, o levando ao Goytacaz, onde foi titular e ajudou a salvar a equipe do rebaixamento à Terceirona do Estadual.

Outro "vira-casaca" famoso foi o lateral-esquerdo Rondinelli, que deu seus primeiros passos no Americano, no fim dos anos 90. Lá, fez parte do time campeão das Taças Guanabara e Rio em 2002, indo atuar posteriormente em clubes como Cruzeiro (MG), Remo (PA) e Goiás. Porém, voltou a Campos em 2006, no Goytacaz. O que parecia desconfiança virou lua de mel com a torcida azul durante a Seletiva daquele ano, quando o camisa 4 foi o principal destaque do time, que conquistou o título mas não subiu por questões judiciais. No Goyta, Rondinelli encerraria a carreira em 2016, após outras três bem sucedidas passagens.

Até Luquinha, para muitos alvinegros considerado "persona non grata" após o gol histórico de 2017, tem raízes no antigo Godofredo Cruz. Embora tenha se profissionalizado pelo Goytacaz em 2016, o atacante saiu do União de Travessão direto para o Americano, onde ficou dois anos na base, até chegar ao Aryzão. No ano passado, Luquinha entrou para a história do Goyta-Cano ao levar o Alvianil para a primeira divisão com um gol no último minuto. Mas nem isso apaga seu pouco conhecido em preto e branco.

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Se o Goytacaz tem muitos craques que vieram do Americano, a recíproca é verdadeira. Basta ver que Paulo Roberto, o maior dos ídolos do Glorioso, já vestiu azul. Em 1977, pouco depois de brigar com a diretoria do Cano, ele foi direto para o Goyta, mas disputou apenas uma partida no Alvianil, justamente contra o clube que o revelou: um amistoso, que terminou empatado em 1 a 1. Luciano Viana, Wellington Jacaré e Washington foram outros ídolos alvinegros que, posteriormente, também atuaram pelo grande rival.

Presidente: ética na negociação
Agora no Goytacaz, Bruno Vianna gozou de certo prestígio com a torcida do Americano no período em que defendeu a equipe. Vindo dos juniores, foi alçado ao elenco profissional e atuou 24 vezes em 2018. Canhoto e habilidoso, pode atuar como lateral-esquerdo ou mais adiantado, no meio ou até mesmo no ataque. Uma das gratas revelações do bom time alvinegro em 2018, acabou no entanto afastado dos jogos decisivos do time durante a reta final da temporada. Mesmo assim, faz parte do grupo campeão da Copa Rio e vice da Série B1 do Carioca.

A contratação de Vianna foi comentada pelo presidente do Goyta, Dartagnan Fernandes, que foi reticente sobre a saída do jogador do clube rival. Ele garantiu que só sentou-se para negociar com o meia a partir do momento em que tinha certeza de que ele já não fazia parte dos planos de Josué Teixeira para 2019 e mostrou que espera ver um bom futebol por parte do novo reforço.

– O jogador não se reapresentou ao Americano. Esse é um assunto muito particular dele com o clube. Ele, então, procurou o vice-presidente de futebol, dando a entender de que não iria continuar lá. Fizemos uma proposta e ele a aceitou. Mas a primeira pergunta que foi feita é se havia ainda algum vínculo com o Americano, dentro de uma ética de só começar a negociar a partir do momento em que estivesse desfeito o vínculo. Há uma agência que também representa o jogador e achamos por bem contratá-lo, é um atleta muito promissor – disse, à Rádio Campos Difusora.

Com Bruno Vianna em seu elenco, o Goytacaz fará ter alguns amistosos antes de estrear na Seletiva. O primeiro deverá ser no dia 23, contra o Campos, no Aryzão. A estreia na Seletiva é em 22 de dezembro, contra o Nova Iguaçu.

Fonte: FutRio