FERJ só aceita o fim da Seletiva se caírem cinco para a Segundona do Rio

Pela primeira vez nos últimos dois anos, a contestação sobre a realização da Seletiva do Campeonato Carioca parece ter ganhado algum eco nos corredores da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ). Polêmica desde o nascedouro, uma vez que tira dos promovidos da Segundona um lugar garantido na divisão principal, a fase preliminar divide opiniões e seu futuro é colocado em dúvida a cada ano. Embora esteja garantida para 2019, ela pode ser abolida futuramente, mas só mediante o uso de um remédio bastante amargo: o rebaixamento de cinco clubes para a segunda divisão, para que o Estadual volte a ter 12 clubes, como foi até 2007.

A mudança no regulamento só pode acontecer mediante a concordância unânime dos participantes do Estadual e, ainda assim, valendo a partir de 2020, uma vez que a tabela da próxima Seletiva já está confirmada. A TV Globo, dona dos direitos de transmissão do campeonato, não abre mão de que 12 equipes estejam disputando a etapa principal do campeonato e a Federação pretende que a Seletiva – mecanismo encontrado para garantir este número – seja mantida até 2022, quando expira o atual contrato com a Globo.

– Acho que estamos ultimando os preparativos de uma forma extremamente positiva. Existe uma convergência de fazermos um campeonato competitivo para todos. O campeonato se resume em duas fases e não há como ser diferente. A não ser que, com os clubes desejando que só aconteça uma fase, haja um descenso de cinco clubes. Se todos aprovarem o descenso desses cinco, será assim. Se não, continuará como é atualmente – disse o presidente da FFERJ, Rubens Lopes, em entrevista à Rádio Absoluta, de Campos, nesta terça-feira (6).

Caso fosse realmente aprovado futuramente, o rebaixamento quíntuplo seria o inverso proporcional da medida adotada pela própria FFERJ, em 2007, para "inchar" o número de participantes do Estadual. Na ocasião, ficou definido que o campeonato sairia de 12 para 16 participantes, o que deu a Resende, Macaé, Cardoso Moreira, Duque de Caxias e Mesquita, os cinco primeiros da Segundona, a possibilidade de subirem diretamente. Desde então (até 2016), os dois últimos da elite caíam e os dois primeiros da segunda divisão conquistavam o acesso de maneira direta.

Porém, nos últimos anos, com a mudança constante de regulamentos, o que ajudou a gerar pouca presença de público em estádios e a preocupação com a audiência fizeram a TV Globo cobrar alterações por parte da FFERJ, o que atingiu seu ápice no segundo semestre de 2016, quando definiu-se pela realização do acesso indireto à elite, por meio da Seletiva, chamada oficialmente de "Fase Preliminar". Nela, os dois times oriundos da Segundona se juntavam aos quatro últimos da primeira divisão para a realização de um hexagonal, com os dois melhores times garantindo o acesso propriamente dito e os outros quatro times lutando para não cair para a Segundona já naquele ano.


Desde a adoção do formato, só o Nova Iguaçu conseguiu, de fato, chegar à primeira divisão, em 2017. O Campos, que tinha "subido" junto, ficou no Grupo X. No começo deste ano, Goytacaz e America, respectivamente campeão e vice da Série B1 do ano passado, não foram além da fase preliminar e seguiram afastados dos grandes jogos. Os rubros, inclusive, caíram de volta para a Série B1, que conquistaram em 2018. Resta saber se poderão finalmente conseguir a "segunda perna do acesso" a partir de dezembro, junto com o Americano, outro promovido.

Fonte: FutRio