Goleiro fidelense a caminho do futebol da Bolívia

O município de São Fidélis está perto de ter um futebolista atuando no exterior. O goleiro Carlos Eduardo Souza, que atualmente defende a Sociedade Esportiva de Búzios, provavelmente não voltará da Bolívia com seu time, que disputa uma série de amistosos naquele país. O fidelense, de 25 anos, está concluindo negociações com o Oriente Petrolero, atual quinto colocado do Campeonato Boliviano, eliminado na segunda fase da última Libertadores.

Antes mesmo da viagem da Sociedade Esportiva de Búzios, o Oriente Petrolero já havia indicado o interesse na contratação de Eduardo, nome pelo qual o atleta é chamado pelos companheiros. Durante visita à região dos Lagos, representantes do clube boliviano gostaram do desempenho do goleiro e iniciaram a negociação. Para Eduardo, é uma grande oportunidade, mas tem seus custos. Seu primeiro filho, Joaquim, nasceu há um mês, e ele ainda não pôde visitá-lo, em São Fidélis, devido à rotina de treinos e a viagem para a Bolívia.

— Tive que vir para cá correndo, não deu tempo de ir a casa. Provavelmente, só vou vê-lo quando ele fizer um ano, por aí. Mas, eu tinha que vir atrás desse sonho. Pintou uma oportunidade e eu não podia deixar para trás. A distância é grande, vou ficar longe de tudo, longe da família. Outra cultura, outro país. Mas, eu tinha que vir. É uma porta muito boa para eu ingressar. Um time de primeira divisão, uma vitrine muito boa tanto para o exterior, quanto para o próprio Brasil. Muitos olheiros. E também é uma porta para Libertadores. Você poder jogar uma Libertadores, não importa por qual time, é uma porta muito boa — afirmou Eduardo.

Na última quinta-feira (8), a equipe de Búzios empatou por 1 a 1 com o Academia, time B do Blooming. O amistoso aconteceu em Santa Cruz de La Sierra, mesma cidade onde a aconteceu novo empate com o Destroyers, este por 0 a 0, no domingo (11). Eduardo atuou como titular nas duas partidas. O próximo compromisso será a Copa Aurora, torneio de tiro curto disputado a partir desta quinta-feira, em Cochabamba. Deve haver ainda dois jogos em La Paz, no próximo final de semana.

— São amistosos importantes para pegar um ritmo, para eu ir me adaptando à altitude. Lá em Búzios eu já estava treinando com uma máscara no rosto, para que entrasse menos ar, de forma que eu chegasse aqui com o pulmão acostumado com a altitude. Fiz esse treinamento por uns 25 a 30 dias. O corpo ainda está se adaptando, mas (o processo) já está bem avançado — ressaltou o atleta.

Carreira reiniciada — Frustrado com promessas de pessoas ligadas ao futebol que acabaram não sendo cumpridas, Eduardo ficou parado por um ano e meio. Neste período, trabalhou de forma independente, na área do entretenimento, e foi membro ativo da diretoria do projeto Um Sorriso de Esperança (USE), que promove ações beneficentes em São Fidélis. Retornou ao esporte em maio, com uma rápida passagem pelo Paduano, antes de seguir para Búzios.

— O sonho nunca morreu, sempre estava comigo, praticamente toda noite na minha cabeça. Pintou uma oportunidade e, graças a Deus, eu voltei. Sempre exaltando a Deus. Se não fosse por Ele, eu não estaria aqui. Foi Ele quem me colocou nesse sonho de novo. Muitas vezes nem penso em mim, nas na minha família, no meu filho Joaquim, e também no USE. Tenho o sonho de um dia poder ajudar o projeto a crescer financeiramente — falou.

Fonte: Folha da Manhã