Quase um mês após morte de turista catarinense, mulheres refazem trilha e dão abraço coletivo em Arraial do Cabo


Quase um mês após a morte da turista catarinense Fabiane Fernandes, de 30 anos, um grupo de mulheres refez na manhã do último sábado (22) a trilha em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio, onde o corpo da empresária foi encontrado. O ato foi em defesa do direito das mulheres de ir e vir.

Na volta, elas deram um abraço coletivo na areia da praia em homenagem a turista que, de acordo com a Polícia Civil, foi estuprada e teve todos os ossos do corpo quebrados depois de subir a trilha sozinha. O suspeito de ter cometido o crime foi preso no dia 14 de dezembro em São Paulo.

Para a turista do Paraná, Thaís Almeida, o importante é a união das mulheres para que tenham liberdade de exercer atividades ao ar livre.
Após refazer o caminho feito Fabiane, grupo deu um abraço coletivo na praia de Arraial do Cabo, no RJ — Foto: Reprodução / Inter TV
"Sem medo de chegar algum maluco e fazer alguma atrocidade igual a que aconteceu com a Fabiane", afirmou.

Segundo a condutora de trilhas Dayana Cabral, a ideia é defender que as mulheres possam ir a qualquer lugar independentemente de estarem em grupo ou sozinhas.

"A gente queria uma maneira de homenageá-la [a Fabiane] e cobrar esse direito que é nosso", disse Dayana.

A condutora afirma ainda que as trilhas de Arraial são mal sinalizadas e as informações que estão na internet são confusas. Por isso, orienta que qualquer pessoa que queira fazer o trajeto peça a ajuda de um guia.

A Câmara de Arraial do Cabo aprovou um projeto de lei para cadastramento de guias e mapeamento das trilhas da cidade. Agora, o prefeito Renato Vianna tem 30 dias para sancionar ou vetar o projeto.
Turista catarinense Fabiane Fernandes, de 30 anos, foi morta em uma trilha na Região dos Lagos do Rio — Foto: Reprodução/Inter TV
Entenda o caso
Fabiane desapareceu em 18 de novembro depois de entrar em uma trilha em Arraial do Cabo. A empresária administrava uma pousada da família na Praia dos Ingleses, tinha um filho de nove anos e cuidava da mãe, que é acamada. Ela vivia em Florianópolis (SC) e nasceu em Sapucaia do Sul (RS).

Quando entrou na trilha, Fabiane chegou a fazer um post em uma rede social, com a legenda: "Exercícios diários, trilha do Atalaia".

Um vídeo registrou Fabiane lanchando em uma loja de conveniência antes de desaparecer em uma trilha. Ela esteve no estabelecimento por dois dias seguidos para lanchar e tomar café da manhã. Segundo funcionários da loja, ela disse que estava sozinha na cidade e que queria fazer a trilha do Pontal do Atalaia.

Um cão farejador participou das buscas e localizou o corpo da empresária na trilha da Prainha. A perícia da Polícia Civil encontrou documentos, roupas e pertences da vítima no local.
Matheus Augusto da Silva foi preso em São Carlos e transferido para o Rio de Janeiro onde prestou depoimento — Foto: Fabiana Assis/G1
Após ter sido preso em São Paulo, Matheus Augusto da Silva de 22 anos, suspeito de ter praticado o crime foi levado para a 132ª Delegacia de Polícia, em Arraial do Cabo, onde negou a participação no crime. Porém, para o delegado que investiga o caso, Renato Mariano, há diversos indícios que o apontam como o responsável pela morte da empresária.

"Na cidade de Cabo Frio, que é a cidade vizinha por onde ele deixou a região, ele foi visto em atitudes de muito nervosismo e com diversas marcas de arranhão nos braços, o que levantou suspeitas a ponto dos próprios funcionários da rodoviária nos auxiliarem com informações sobre o caso", afirmou o delegado.

Além disso, uma foto feita por um grupo de trilheiros mostra o suspeito na trilha onde o corpo foi encontrado.

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