River vira sobre o Boca na prorrogação e leva a Libertadores em Madri

Quintero comemora depois de decidir, com um golaço, a Libertadores de 2018
O River Plate conquistou pela quarta vez a Copa Libertadores da América. Entretanto, dificilmente alguma terá o sabor da obtida neste domingo (9). De virada e na prorrogação, a equipe venceu o arquirrival Boca Juniors pelo placar de 3 a 1, no Santiago Bernabéu, e levou o título da Superfinal entre os argentinos, em campo, sem confusão como a ocorrida no último dia 24 na cidade de Buenos Aires. Lucas Pratto, Quintero e Pity Martínez, no fim, anotaram os gols vencedores, enquanto Benedetto marcou para os xeneizes.

O título no outro lado do Oceano Atlântico consagra de vez a geração comandada por Marcelo Gallardo. Semifinalista na temporada passada, o River Plate volta a levantar o troféu depois de três edições. Com o mesmo treinador, que acompanhou o duelo de um camarote do estádio em Madri, o time alcançou o topo do continente sul-americano no ano de 2015.

O confronto no Bernabéu trouxe dois tempos completamente distintos. Com a marcação encaixada, bom volume de jogo e contra-ataque veloz, o Boca Juniors dominou completamente o River Plate na primeira etapa. Por outro lado, o time de Marcelo Gallardo se recompôs na parte final do jogo, quando adotou uma postura mais ofensiva, e terminou os 90min pressionando o arquirrival.
O domínio da bola por parte do River Plate se manteve na prorrogação, principalmente com a expulsão do colombiano Barrios. A bola circulou durante quase todo o tempo próximo à área de Andrada. Faltava o talento de alguém como Quintero para decidir: um chute preciso de fora da área para definir a Copa Libertadores da América para os millonarios. Martínez ainda aproveitou desespero do Boca e, no último lance, carregou a bola sozinho para anotar o terceiro.

Agora com o título, o vencedor já prepara o embarque para Abu Dhabi, sede do Mundial de Clubes. O representante da Conmebol entra em campo no dia 18, ainda sem adversário definido. O rival será quem passar do duelo entre Espérance-TUN e Al Ain-UAE ou Team Wellington-NZL, que abrem a competição no dia 12 para definir o rival dos tunisianos.

Quem foi bem: Nández
O volante uruguaio do Boca Juniors teve uma atuação soberba no Monumental. Tanto na defesa como no ataque, o camisa 15 se destacou e deve ter impressionado o público espanhol. O meio-campista protegeu e defesa e ainda descolou um grande passe para Dario Benedetto, após jogada individual, abrir o marcador no Bernabéu.

Quem foi mal: Maidana
A defesa do River Plate enfrentou muitas dificuldades nos duelos individuais, principalmente contra Dario Benedetto. Neste ponto, Maidana sofreu no Santiago Bernabéu. O camisa 2 perdeu boa parte dos choques corporais, inclusive para Ramón Ábila, que entrou na etapa final. O cartão amarelo próximo dos 40min ainda deixou o setor em risco para a prorrogação.
Benedetto (de novo) decisivo
Dois jogos da semifinal, dois da final. Cinco gols. Dario Benedetto quase decidiu sozinho a Copa Libertadores da América para o Boca Juniors. Depois de longa ausência por lesão, responsável por tirá-lo da Copa do Mundo com a Argentina, o centroavante voltou para assumir papel de protagonista da competição. Neste domingo, uma grande jogada individual resultou no primeiro gol do domingo - com direito a comemoração bem provocativa sobre o lateral Montiel. 

Olá, Real Madrid
A imprensa argentina já coloca Exequiel Palacios como reforço do Real Madrid para o ano que vem. No Santiago Bernabéu, o meio-campista mostrou o motivo para conviver com esta especulação. Um toque, apenas um toque, abriu caminho para o empate do River Plate. Aos 22min, o camisa 15 devolveu de primeira e deixou Ignacio Fernández livre dentro da área. Nacho achou Lucas Pratto, que, oportunista, anotou o seu segundo gol na Superfinal e forçou a prorrogação.
Prorrogação tensa
A tensão evidente nos dois times cresceu durante o tempo-extra. O maior reflexo ocorreu logo aos 2min da prorrogação. Barrios se precipitou e exagerou ao entrar em dividida com Palacios. O árbitro uruguaio Andrés Cunha não hesitou, mostrou o segundo amarelo e expulsou o colombiano. A partir de então, o River buscou mais o jogo, mas o nervosismo imperou e gerou erros simples de passe dos dois lados deste clássico.

River nervoso no 1º tempo
O River Plate sentiu a mudança de jogo para um estádio neutro, aparentemente. Esqueça o time solto e incisivo do jogo de ida em La Bombonera. Neste domingo, o que se viu foi uma equipe nervosa e pouco inspirada, encaixada em uma marcação eficiente do Boca Juniors. Pity Martínez, destaque na ida, e Palacios foram facilmente neutralizados; Lucas Pratto, na referência, não teve qualquer chance clara para incomodar Andrada nos primeiros 45min.

Bernabéu ou Bombonera?
A torcida do Boca estava vetada da segunda partida da final da Copa Libertadores, no Monumental de Nuñez. Na Argentina, o público para grandes clássicos só permite a entrada dos torcedores mandantes. A ida para Madri permitiu a presença dos bosteros, que dominaram a arquibancada e viram o time responder em campo. Desde o princípio, os comandados de Guillermo Barros Schelotto se sentiram à vontade e controlaram o ritmo do duelo no primeiro tempo de jogo. Pablo Pérez, aos 10min, quase abriu o placar.

Nández, o termômetro
Nahitan Nández tem apenas 22 anos, mas já soma conquistas importantes no currículo como ser capitão do Peñarol e jogar uma Copa do Mundo com o Uruguai. Neste domingo, na "maior final do mundo", como colocaram os argentinos, se mostrou completamente à vontade. Foi dele o passe milimétrico para Dario Benedetto cortar a defesa e abrir o placar para o Boca Juniors, em contra-ataque letal ocorrido aos 43min da primeira etapa.

Gallardo reforça meio-campo
O técnico Marcelo Gallardo procurou manter a posse de bola nesta segunda final. Para conter o Boca Juniors, o comandante reforçou o setor de meio-campo, isolando Lucas Pratto no ataque. Não deu certo na primeira parte. O ex-são-paulino e atleticano ficou sem opções de jogo durante a etapa inicial de jogo, ainda mais pelas atuações apagadas de quem sustentava o setor ofensivo - no caso, Palacios, Martínez e Fernández.
Cadê o VAR?
O River Plate subiu de rendimento no segundo tempo, especialmente depois da entrada de Juan Fernando Quintero no setor de meio-campo. Não demorou para a equipe millonaria incomodar Andrada, que precisou até apelar com Lucas Pratto. O centroavante deu um toque na bola e se chocou com o goleiro do Boca Juniors. O lance ocorrido aos 10min gerou reclamações de pênalti por parte dos jogadores de Gallardo.

Schelotto barra Ábila
Benedetto só se mostrou decisivo no primeiro tempo em virtude de uma mudança ousada de Schelotto. O treinador barrou o ex-cruzeirense Ramón Ábila, autor do primeiro gol do Boca no empate por 2 a 2 da ida, e optou pelo camisa 18. O golaço anotado pelo centroavante-talismã tirou qualquer dúvida sobre como a mudança promovida pelo técnico se mostrou positiva.
Estrelas no estádio
River Plate x Boca Juniors se tornou uma atração futebolística em Madri. O Estádio Santiago Bernabéu recebeu grandes estrelas do futebol mundial; até mesmo rivais do Real Madrid estiveram no estádio. A lista de convidados contava com nomes como Lionel Messi (Barcelona), Antoine Griezmann (Atlético de Madri), Paulo Dybala (Juventus), Mauro Icardi (Internazionale) e James Rodríguez (Bayern de Munique).