Sem acesso no Goyta, Paquetá não acredita em salários pagos: "Isso é óbvio"

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Chegou ao fim a conturbada temporada de 2019 no Goytacaz. Se o rebaixamento na Série A Já havia causado danos, a falta do acesso na Segundona, após nova derrota para o Friburguense, parece deixar o cenário ainda mais desanimador na parte financeira, já que o clube não irá faturar com as cotas de televisão que são pagas na elite.

Os jogadores seguem com salários atrasados e alguns, como Vinicius Paquetá, já parecem se conformar com a ideia de não receber os vencimentos que estão em aberto. O atacante, que chegou no decorrer da Série B1, cobra uma dívida menor na comparação com outros atletas do elenco. Único membro da diretoria presente em Nova Friburgo, na última quarta-feira (2), o vice-presidente de futebol Marcelo Santiago optou por não falar.

- Eu não estou desde o início, já que o professor (João Carlos Ângelo) me chamou ao término do primeiro turno. A situação que estamos passando lá é bem complicada. Uma situação dificílima. Só nós, jogadores e comissão técnica, sabemos o que estamos passando até hoje. Infelizmente futebol tem dessas coisas e provavelmente não iremos receber. Isso é óbvio. Eu, particularmente, acho que não vamos receber - projetou Paquetá.

Ao não conquistar o acesso, o Goytacaz vê uma valiosa fonta de renda ir por água abaixo. Sem as cotas de TV da Série A, o clube precisará ser criativo para contornar os problemas em 2020 com uma nova participação na Segundona. Vinicius Paquetá lamenta tal situação.

- Isso é normal. Não é aqui, mas em outros clubes em que joguei no Brasil, indo embora depois de uma derrota e não receber até hoje. Acaba se tornando normal no futebol, uma coisa que não era para acontecer. Temos família, filhos. Infelizmente não conseguimos nosso objetivo. Nossa esperança era conseguir esse acesso para que futuramente pudesse receber um retorno financeiro. O que mais dói é não conseguir a classificação.

Apesar dos problemas, trabalho marcante
Vinicius Paquetá destacou o profissionalismmo apresentado pelo elenco do Goytacaz em meio às dificuldades. Mesmo com atrasos que chegaram a montar em quatro meses, o grupo de atletas conseguiu levar o Alvianil até a semifinal geral da B1. O atacante garante que o trabalho desenvolvido ficará marcado em sua história pessoal.

- Esse time vai ficar marcado na minha história. Tive um ano muito interessante em 2016 (pelo Nova Iguaçu), mas acho que esse ano, mesmo sem o título, sem conseguir nada, vai ficar guardado para a história. Fomos um grupo guerreiro e vocês acompanharam do lado de fora. Demos o nosso melhor e saímos de cabeça erguida. Acho que a pessoa executar um trabalho com quatro, três meses de salários atrasados, é muito difícil - avaliou o atleta, que ainda fez um apelo.

- Se quem está ouvindo esse áudio parasse para fazer uma reflexão de como seria a vida com só dois meses de salários atrasados, com plano de saúde, com família, acho que seria muito difícil, ninguém teria cabeça. Mas nós conseguimos passar por toda essa situação e conseguimos chegar na briga por uma classificação à primeira divisão. Acho que nós jogadores deixamos abertos para que os ouvintes possam refletir um pouco sobre isso.

Sem mais compromisssos em 2019, o Goytacaz trabalha agora de olho no próximo ano, quando tentará novamente o acesso na segunda divisão do Rio de Janeiro.

Fonte: FutRio
Foto: Igor Cruz

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