Trabalho mais difícil da carreira: João Carlos Ângelo avalia passagem no Goyta

Figura central na conturbada temporada que o Goytacaz realizou na Segundona Estadual, o técnico João Carlos Ângelo, tratado pelos atletas como "fenomenal", falou ao FutRio sobre as dificuldades que cercaram um trabalho que foi realizado durante quase toda a trajetória com atrasados salariais, além da desordem administrativa e estrutural.

A eliminação na semifinal geral, diante do Friburguense, pôs fim no trabalho mais difícil da carreira de João Carlos, segundo palavras do próprio treinador. Ainda que contido, adotou um tom de desabafado ao avaliar o passo a passo do Alvianil durante a disputa da Série B1 em 2019.

- Eu não quero nem ser antiético porque não faz parte do meu lado profissional. Eu mesmo fiquei chateado com algumas coisas que aconteceram, até pelo fato da associação do treinador João Carlos com os três anos que trabalhou no Americano. Muita gente não entendeu isso. Sem dúvidas foi o trabalho mais difícil que eu fiz. Isso sem dúvidas nenhuma. Já tinha comunicado que não continuava no clube, independente do resultado (da semifinal geral).

João Carlos Ângelo ainda abordou outros temas como o casos administrativo que toma conta do Goyta, a relação formada com o elenco, os questionamentos em cima de seu trabalho, além de outros pontos importantes que marcaram o trabalho desenvolvido no lado azul de Campos. Confira:

Crise financeira e administrativa
- Realmente foram desagradáveis algumas situações que passei. Não digo só a situação financeira, mas outras coisas que nem vale a gente comentar. Não sei exatamente quantos meses os atletas têm (em aberto), mas sei que eu tenho certeza que nem vou colocar minha parte financeira. Acredito nas pessoas e vi, da minha parte, pessoas que queriam ajudar o clube, o presidente tentando, vi algumas pessoas tentando, outras nem tanto. O clube vive um conflito interno bem grande e acho que esse é o maior problema. Não é uma briga nossa, mas tem muita gente querendo tirar outras pessoas e isso acaba refletindo dentro do grupo de trabalho. Eu desejo sorte para eles. Desejo sorte e agradeço a oportunidade que o presidente me deu. O presidente e alguns diretores que estiveram sempre do meu lado, casos do Serginho, do Vitor, pessoas que estiveram do meu lado para ajudar, enquanto outros estavam para conturbar o trabalho. Infelizmente tinham pessoas lá de dentro para conturbar o trabalho. E algumas vezes conseguiram, mas penso que o trabalho foi feito.

Orgulho do elenco
- A gente fez um trabalho, como eu disse para os atletas, que nos deixa chateados de não termos conquistado, mas foi um belo trabalho. Estou orgulhoso daquilo que meus atletas fizeram. Durante a competição perdemos sete atletas que estavam jogando e a dificuldade foi muito grande.

Clube e torcida
- Vejo o Goytacaz como um clube muito grande, com potencial muito grande. Acho que essa torcida tem que se unir em prol do clube e não ir para dentro de campo para tentar... não é a torcida completa, mas são alguns torcedores que, em vez de ajudar, atrapalham. Eles precisam se juntar em prol daquilo que querem. Não é possível o Goytacaz com o tamanho de torcida que tem não poder fazer um trabalho mais eficaz, um trabalho onde não hajam os problemas extracampo, os problemas salariais e estruturais. Não foi só salário.

Eliminação na semifinal
- Não se pode julgar um trabalho de cinco, seis meses, por uma derrota numa final de competição. A gente sabe que perdemos um jogo em casa onde tivemos as melhores chances de gol, um pênalti que não foi dado. E em Friburgo o Arruda, na opinião dele, deu um pênalti e eles ganharam de 1 a 0. Nós podíamos ter vencido por esse resultado em casa. Mas isso faz parte e temos que dar os parabéns ao Friburguense pela recuperação que teve no segundo turno, pela conquista e desejar boa sorte para o Goytacaz no futuro.

Relação com elenco
- Agradeci por eles terem comprado minha ideia. Muitos queriam ir embora e alguns chegaram a ir embora e retornaram no meio do percurso. E eu sempre procurando trabalhar e dialogar com eles. Muitas vezes as promessas não eram concluídas e eles acreditavam no nosso pedido. Tentamos motivá-los acreditando na oportunidade que a gente tinha de fazer um grande trabalho, mesmo que não tenhamos o grupo total que a gente montou, que era um grupo mais qualificado ainda, com mais opções. Pelo menos os que ficaram foram briosos, determinados. Tentamos tirar isso deles e estou muito orgulhoso de ter feito parte desse grupo.

Sofrimento dos jogadores
- Passei isso para eles, pela entrega deles. A gente cria uma expectativa de conquistar o acesso e não conquistamos, mas estou feliz pelo trabalho que foi desenvolvido durante toda a competição. Como disse para eles, talvez seja a equipe que mais sofreu durante a competição, mas enquanto mais ou menos 400 atletas que disputaram a competição estavam em casa, nós estávamos disputando o acesso. Então só parabenizei e agradeci a eles.

Apoio da família e comissão técnica
- Agradeço a Deus e a minha família porque em alguns momentos eu decidi que estava quase para ir embora e minha família me falou: "fica porque você não é homem de abandonar". A gente é ser humano e às vezes fica em dúvida. Agradeço também a minha comissão técnica que sempre esteve do meu lado, me ajudando, me fortalecendo, mesmo nas dificuldades. A gente fica feliz por termos feito um bom trabalho, mas tristes por não termos alcançado o objetivo. Peço desculpas por não ter alcançado o objetivo principal que era o acesso, mas tudo nós fizemos para que isso acontecesse.

Fonte: FutRio
Foto: Jhonathan Jeferson (FutRio)

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