A voz da emoção de Cabo Frio que ecoou em Lima

‘Isso aqui é Flamengo!” O grito emocionado foi do narrador Sidnei Marinho após o gol de Gabigol, o da virada contra o River Plate (ARG), na final da Taça Libertadores, realizada no último sábado. O jornalista acompanhou a decisão diretamente do Estádio Municipal de Lima, juntamente com os filhos, na reportagem, e o irmão, na equipe técnica. Foi o único profissional de rádio convencional – isto é, que não são rádios web – do Brasil a transmitir a partida do local, pela Rádio Cabo Frio FM e pela TV Litoral News.

A vibrante narração do gol que deu o bicampeonato do torneio continental do time carioca foi o fechamento de ouro de uma transmissão que, ele elege, como o ponto alto de uma carreira iniciada em 1986. As imagens do locutor visivelmente emocionado estão no You Tube e ganharam a internet. 

– Foi bem especial, um momento inesquecível. Primeiro pelo fato de trazer a Rádio Cabo Frio e a TV Litoral News para uma cobertura dessa importância. Também fui o único narrador de rádio dial do Brasil. E ainda estar com meus filhos e o meu irmão. E, pelo inusitado do jogo, da forma que ele foi, aquela coisa de 43 minutos do segundo tempo, 1 a 0 River, acreditar até o final. Aí veio essa narração mais vibrante, mais emotiva, mais puxada. Foi o momento mais emocionante desses meus quase 33 anos como narrador esportivo – garante.

A transmissão da final da Libertadores também foi a ‘cereja do bolo’ do projeto familiar retomado após dois anos de interrupção. O próximo desafio do Flamengo após conquistar a América e, um dia depois, o heptacampeonato do Brasileirão, é o Mundial de Clubes, que será disputado em Doha, no Catar, em dezembro. Apesar das dificuldades operacionais e financeiras da empreitada, o experiente narrador não descarta a possibilidade de acompanhar de perto mais uma possível façanha dos comandados do técnico Jorge Jesus.

– Hoje é um sonho. A gente está buscando percorrer o caminho que pode ser trabalhado para percorrer, fazendo o que tem que fazer em termos de preparação, mas a gente tem buscar patrocínios fortes para fazer, não descarta não. Nossa frase é ‘lutem até o fim’, vamos tentar. Se for da vontade de Deus, e as coisas caminharem nesse sentido vai ser um barato. Se não der nesse, quem sabe na China, em 2021? – disse, em alusão ao primeiro Mundial de Clubes com 24 equipes, já anunciado pela Fifa.

A emoção continuou fora do estádio. Sidnei conta que a polícia peruana fez um cerco em um raio de cerca de três quilômetros ao redor do local da partida, restringindo a entrada e saída de veículos. Com voo marcado para poucas horas após o fim do jogo, o narrador e a equipe tiveram que recorrer ao dono de uma moto do tipo tuc-tuc, daquelas usadas na Índia para levar mais de um passageiro, para não se atrasarem. No fim, deu tudo certo. Mais uma história para guardar na lembrança de uma cobertura que já era histórica.

– Viemos Sidnei, eu e Marcelo com toda bagagem dentro desse tuc-tuc, nesses três quilômetros fora do estádio para depois pegar um táxi. Com um medo danado dele virar porque eram três, mais a mala de material, mais a nossa bagagem. Aí você imagina – comenta o jornalista, que está em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e hoje embarca de volta para o Brasil. 

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