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Especial "Campeonato Fluminense de futebol" de 1913 à 1927

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Neste domingo (23/02), o GF ESPORTE prossegue com a série de matérias sobre a história do extinto Campeonato Fluminense de futebol profissional. O resgate do futebol realizado no antigo estado do Rio de Janeiro, antes da fusão, em 1975. A série também  é baseada no Livro "O ESTADO ESQUECIDO: A HISTÓRIA DO CAMPEONATO FLUMINENSE DE FUTEBOL PROFISSIONAL", de Aristides Leo Pardo e "História do campeonato fluminense de futebol", de Laércio Becker. Em destaque os anos de 1913 à 1927.

A história do campeonato fluminense de futebol é, sem sombra de dúvida, a mais confusa de todos os campeonatos estaduais do Brasil. Tentaremos aqui resumi-la. Para tanto, usaremos basicamente as informações dos sites RSSSF e Wikipedia, os artigos de Auriel de Almeida (o maior especialista no assunto), os livros de Eduardo Viana (falecido presidente da FERJ, conhecido como “Caixa d’Água”) e sobre o futebol em algumas cidades (Campos, Nova Friburgo e Petrópolis).

Pois bem, como esclarecemos em nosso artigo “Campeões em mais de um estado”, durante o Império, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro era o Município Neutro da Corte, enquanto Niterói era a capital da província do Rio de Janeiro. Com o art. 2º da
Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 24.02.1891, o Município Neutro virou Distrito Federal e as Províncias se transformaram em estados. Ou seja, a cidade e o Estado do Rio continuavam separados.

Daí que, como podemos ver no capítulo “Primeiros jogos”, de nosso livro Do fundo do baú, o estado do Rio foi o palco da primeira partida “interestadual” jogada no Brasil. Foi em 01.08.1901, no campo do Rio Cricket & Athletic Association (RC&AA), entre jogadores brasileiros sócios do Paysandu Cricket Club (do então Distrito Federal) e ingleses do RC&AA, de Niterói (antigo estado do Rio).
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Mas há notícias de que, no próprio estado do Rio, o futebol já era praticado antes.

Falamos sobre isso no mesmo capítulo: há relatos de sua prática no Colégio Paixão, de Petrópolis, desde 1882, e no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, desde 1886. Suspeita-se inclusive que em Petrópolis surgiu o primeiro clube fundado para a prática do futebol, o Foot Rink Club, cf. vimos no capítulo “Primeiros clubes” do mesmo livro.

Na capital Niterói, os primeiros campeonatos foram de 1913 e 1914. Quanto à entidade a organizá-los, há divergência nas fontes. Segundo Auriel de Almeida, a informação de que foi a Associação Nictheroyense de Football (ANF) encontra-se no livro A história do futebol de Niterói, publicado por Jorge Augusto Guimarães em 1955 (não confundir com o livro de mesmo título, ainda inédito, escrito por Ayrton Pinto Ribeiro; sua existência é noticiada por Wanderlino Teixeira Leite Netto). Também no site RSSSF,
citando como fonte os jornais O Imparcial e Gazeta de Notícias.
Contudo, Auriel pesquisou os jornais da época e descobriu que alguns falam em Associação Athlética Nictheroyense (AAN) e outros em Associação Athletica Fluminense
(AAF).

Se era ANF ou AAN, era uma entidade que, pelo próprio nome, não aparentava ter pretensões de ser estadual, mas apenas municipal. Assim como a Liga Campista de Football, fundada em 1913, a Liga Petropolitana de Sports, fundada em 1918, e a
Associação Serrana de Esportes Atléticos, fundada em 1925. Mas se era AAF, esse argumento enfraquece e seus dois campeões podem, sim, pleitear o reconhecimento de título estadual para 1913 e 1914. Por isso, na tabela acima, consideramos AAF.

Após o segundo campeonato, a ANF (ou AAF, ou AAN) foi extinta e, em seu lugar, surgiu a Liga Sportiva Fluminense (LSF), que organizou campeonatos de 1915 a 1925.

Logo de início, em 1917 e 1918, já enfrentou uma dissidência: a Associação Fluminense de Desportos Terrestres (AFDT), que organizou campeonatos em 1917 e 1918, sendo que, aparentemente, este último não foi concluído e não há notícia de que um campeão tenha sido proclamado.
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Os nomes, por si, já indicam que a LSF e a AFDT tinham pretensões de serem estaduais. Após disputarem entre si o reconhecimento da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), a LSF finalmente conseguiu ser admitida a partir de 1918, como
representante legítima do estado do Rio. A partir desse reconhecimento, filiaram-se à LSF as ligas de Campos dos Goitacazes e Petrópolis – ora, não se imagina que ligas municipais
filiadas a uma liga municipal, então só podia ser estadual mesmo.
Oficialmente, os campeonatos da LSF eram abertos a todos os times do estado, só que ela exigia que todas as partidas fossem disputadas em Niterói. O custo e a precariedade dos transportes dificultava, na prática, a participação dos clubes do interior. Então, embora prometesse, desde 1915, a realização de um futuro certame estadual, de seus campeonatos participaram basicamente times de Niterói (à exceção de alguns times de São Gonçalo e Petrópolis), motivo pelo qual muitas fontes não os consideram efetivamente estaduais.

Como dissemos em nosso artigo “Pelo reconhecimento de títulos cariocas extraoficiais”, em tese, um campeonato restrito aos times da capital não poderia valer como campeonato estadual. No entanto, não é bem isso o que a história de alguns estaduais tem
revelado. P.ex., assim como os campeonatos da LSF, os primeiros campeonatos paulista, paranaense, catarinense, capixaba e potiguar também foram disputados apenas pelos times das respectivas capitais e, mesmo assim, são reconhecidos como títulos estaduais. Isso é perfeitamente justificável. Em primeiro lugar, porque a prática do futebol estava inicialmente concentrada nas capitais. Em segundo, porque, mesmo quando era praticado também em outras cidades do interior, as grandes distâncias eram de difíceis de transpor e exigiam grandes gastos, às vezes inexigíveis de amadores. Daí a inegável importância das ferrovias na difusão do futebol, como bem demonstra o livro de Ernani Buchmann.
Mesmo levando isso em consideração.

A participação da Seleção havia outro problema: a LSF montava uma seleção Fluminense na primeira edição composta exclusivamente por jogadores dos times do Campeonato Brasileiro de Niterói, que ora apresentava-se como uma resumiu-se a uma derrota por seleção municipal (ao disputar amistosos contra 2x0 para a Seleção Carioca, em outras seleções locais, como as de Campos e 27.07.1922, no campo do CR
Petrópolis), ora como uma seleção estadual, Flamengo. Eis a escalação: embora de uma cidade só. Justamente a que
David; Luiz e Congo; Vicente, representava o estado do Rio no Campeonato Malvino e Serafim; Pires, Brasileiro de seleções estaduais, que a CBD Corbiam, Antoninho, Mario e começou a organizar a partir de 1922. Além de não Manuelzinho.
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Ter representatividade, apresentava atuações fracas,
o que irritou bastante o interior do estado.

Por isso, clubes descontentes como o RC&AA, o Canto do Rio FC, o GR Gragoatá, o Internacional FC, o Serrano FC (de Petrópolis) e o SC Fluminense (atual Fluminense de Natação e Regatas) fundaram a Associação Fluminense de Esportes Athléticos (AFEA), que organizou campeonatos de 1925 a 1927. Como assegurou aos clubes o direito de mandar seus jogos em seus municípios, recebeu o apoio de outros clubes de Niterói e das
ligas de Campos, Nova Friburgo e Petrópolis, bem como da imprensa. Por isso, seu campeonato firmou-se como verdadeiramente estadual.

Enquanto isso, a LSF não desistiria facilmente. Em março de 1925, para se contrapor ao certame da AFEA, resolveu repor em disputa o título de 1924 do Byron FC, sob o nome de “I Campeonato Fluminense”, no qual o Byron seria desafiado pelo vencedor
da Taça Dr. Noronha Santos, disputada pelos campeões de 1924 em Petrópolis e Campos.

Após vencer o Campos AA por 2x1, em 29.03.1925, o Petropolitano FC solicitou à LSF o adiamento da final, que estava marcada para 19.04.1925. O pedido foi negado, o Byron
venceu por WO e a LSF sagrou-o campeão de 1924 do autoproclamado “I Campeonato Fluminense”, sem que ele jogasse uma só partida. Como reuniu os campeões de 1924, é como se fosse um “supercampeonato” de 1924. Ou seja, a rigor, o Byron foi duas vezes campeão de 1924. Só que, como a LSF não organizou outro campeonato referente a 1925, algumas fontes atribuem esse “I Campeonato Fluminense” ao ano de 1925 mesmo, quando
foi jogado.

Em 1926, a LSF mudou de nome para Federação Fluminense de Desportos (FFD) e criou a Associação Nictheroyense de Desportos Terrestres (ANDT), para finalmente organizar em separado o campeonato da capital. E foi o que a ANDT fez: o certame
municipal de 1926, vencido pelo Ypiranga FC (é tentador reconhecê-lo campeão fluminense pela FFD, já que foi o único campeonato que conseguiu organizar e já havia a tradição de o campeão niteroiense ser considerado o campeão estadual). Só que a FFD, totalmente esvaziada pela rival AFEA, não conseguiu organizar o certame estadual de 1926. Na condição de filiada à CBD, ainda chegou a participar do Campeonato Brasileiro
de seleções de 1926. Porém, após a eliminação do torneio (derrota de 9x1 para a Seleção Carioca), a FFD foi dissolvida, o que permitiu à AFEA ser reconhecida pela CBD como a representante fluminense, a partir de 1927.
Em 1927, o campeonato dois detalhes. Por um lado, quem nega o caráter fluminense, organizado pela de estadual aos campeonatos da LSF deveria AFEA, acabou sendo disputado negá-lo também a este campeonato da AFEA de apenas por times da capital. Um
1927. 

Por outro lado, quem atribui aos primeiros retrocessos em
termos de campeonatos de Niterói o caráter de estaduais, representatividade. É que Serrano deveria reconhecer esse campeonato de 1927, da FC e Friburgo FC desistiram de
AFEA, também um título niteroiense, já que o participar devido ao alto custo das torneio municipal desse ano não foi realizado,
passagens intermunicipais, num porque a FFD e sua filiada ANDT foram extintas.

O longo torneio de turno e returno. Para contornar esses problemas e devolver representatividade ao torneio, a AFEA resolveu: trocar o sistema de dois turnos por partidas eliminatórias (o popular “matamata”), o que diminui os deslocamentos e, conseqüentemente, reduz os respectivos custos; e (ii) substituir os clubes por seleções locais, medida que reduz o número de participantes (logo, também de deslocamentos) e que supõe que as ligas teriam melhores condições financeiras de arcar com esses custos.

Nesta segunda (24/02), o Especial continua no GF ESPORTE, com o Campeonato Fluminense de 1928 à 1933. 

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