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Especial "Campeonato Fluminense de futebol" de 1934 à 1945

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Nesta terça (25/02), o GF ESPORTE prossegue com a série de matérias sobre a história do extinto Campeonato Fluminense de futebol profissional. O resgate do futebol realizado no antigo estado do Rio de Janeiro, antes da fusão, em 1975. A série também  é baseada no Livro "O ESTADO ESQUECIDO: A HISTÓRIA DO CAMPEONATO FLUMINENSE DE FUTEBOL PROFISSIONAL", de Aristides Leo Pardo e "História do campeonato fluminense de futebol", de Laércio Becker. Em destaque os anos de 1934 à 1945.

Em   1933,   eclodiu   a   crise   do   futebol   amador   (e   do   amadorismo   “marrom”),provocada pela pressão em favor de sua profissionalização. O Fluminense AC, Byron FC, Nictheroyense FC e o Tamoyo FC de São Gonçalo abandonaram a amadorista ANEA(filiada à AFEA) e, no final do ano, fundaram a profissionalista Liga Nichteroyense de Futebol (LNF). 
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A LNF recebeu o apoio das ligas campista e petropolitana (que eram ainda eram amadoristas, mas já planejavam adotar o profissionalismo) e juntas, em 1934, criaram a Federação Fluminense de Esportes (FFE)  que, por sua vez, filiou-se à Federação Brasileira de Futebol (FBF), entidade profissionalista de âmbito nacional, criada em 1933. Por conta disso, a AFEA não conseguiu mais organizar seu campeonato estadual,porque já estava esvaziada das principais ligas, que haviam aderido à FFE. 

Permaneceu inativa, mas ainda filiada à CBD. Se aplicássemos a regra do clube campeão da última liga campeã, teríamos que relacionar os campeões da ANEA, que foi a última liga campeã da AFEA, em 1931. Só que a ANEA não conseguiu concluir seu campeonato municipal de 1934 e foi extinta em 1935. Ou seja, realmente não há como reconhecer campeões da AFEA nesse período de 1934 a 1940. Enquanto isso, em 1934, a LNF organizou o seu primeiro campeonato niteroiense ea FFE o seu primeiro campeonato estadual, nos moldes da AFEA, i.e., entre seleções locais(profissionais, amadoras e mistas) – vencido pela Liga Esportiva Sul-Fluminense (LESF),de Barra do Piraí. Segundo o citado livro de Jorge Augusto Guimarães, a FFE manteve também aregra segundo a qual o clube campeão da liga campeã era o campeão estadual honorário.
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Dessa  vez,  pelo  menos,   essa  indicação  teve  uma   utilidade:  a  seleção  da  Associação Campista de Esportes Terrestres (ACET) foi campeã de 1936, então o campeão campista SC Aliança foi indicado campeão honorário e, nessa condição, foi convidado a participar da Copa dos Campeões de 1937, organizada pela FBF – ver nosso artigo “Sobre a unificação dos títulos brasileiros”.

A FFE também manteve a regra segundo a qual, não sendo disputado o estadual, a última liga campeã indica o clube campeão honorário. Por isso, em 1937, o estadual não foi disputado, de sorte que o campeão estadual honorário foi o vencedor da ACET.
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Em 1937, a LNF se dissolveu e foi sucedida pela Associação Nictheroyense deAthletismo (ANA), que se filiou à FFE e foi campeã de 1938. Em 1940, após quatro empates, a Associação Campista de Esportes Terrestres e a Associação Serrana de Esportes Athléticos resolveram dividir o título. Segundo Auriel de Almeida, não está claro se a divisão do título entre as ligas acarretaria também a divisão do título entre seus campeões locais. Todas as fontes partem do pressuposto que sim. Quanto ao campeão friburguense,que não consta nos artigos sobre o assunto na internet, trata-se do Friburgo FC, cf. o livro de Gustavo Pinto de Faria.

Em   1941,   operou-se   a   fusão   da   FFE   com   a   inativa   AFEA,   dando   origem   àFederação Fluminense de Desportos (FFD), que representou um retorno ao amadorismo.Com o patrocínio do Cassino da Urca, o campeonato fluminense voltou a ser de clubes, os campeões municipais. 
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E, invertendo a lógica dos campeonatos de 1928 a 1940, a seleção da liga local a que pertence o clube campeão estadual é que seria a representante oficial fluminense (campeã honorária) no Campeonato Brasileiro de seleções estaduais. Foi assim que ganharam o direito de representar o estado as seleções do Departamento Autônomo de Futebol (DAF, criado em 1941 pela FFD para organizar o campeonato niteroiense, no lugar da ANA), da Liga Desportiva de Barra do Piraí (LDBP) e da Liga Petropolitana de Desportos (LPD). 

Outro detalhe: o campeonato de um ano era disputado no início do ano seguinte – mais ou menos como o imposto de renda, que a gente declara num ano mas é relativo ao ano anterior. Assim, na tabela abaixo, o “ano” é o de referência, não o em que foi disputado.

Em artigo publicado em 2009, Auriel afirma que, a partir de 1945, clubes e seleções disputavam conjuntamente o mesmo campeonato e que só em 1945 foi vencido por um clube (Serrano), enquanto nos outros foi por seleções locais. 

O site Wikipedia vai pela mesma linha, afirmando ainda que, após o fechamento do Cassino da Urca em 1946, o número de seleções superou o de clubes.
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Ocorre que, em artigo publicado em 2008, Auriel de Almeida disse que, a partir de 1946, o campeonato voltou à fórmula anterior: entre seleções, com indicação do campeão honorário (campeão da liga campeã). Também o site RSSSF, atualizado em 2012, informa que o campeonato voltou a ser entre seleções. Segundo Auriel, essa versão tem por base o livro de Jorge Guimarães e não é comprovada pelos jornais. 

Apesar disso, é essa versão que vamos adotar na tabela abaixo, não por considerá-la correta (faltam-me elementos para julgar), mas para incluir os “campeões honorários”, que ficariam de fora numa tabela que assumisse a versão acima, do campeonato misto de seleções e clubes. É mais fácil o leitor desconsiderar informações do que ter que incluí-las.

Nesta quarta (26/02), o Especial continua no GF ESPORTE, com o Campeonato Fluminense de 1946 à 1955. 

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