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FALTAM 162 DIAS: Estocolmo 1912 - Precisão de relógio sueco

O americano Matt McGrath participa da final do lançamento de martelo
Dando sequência ao Especial de contagem regressiva para os Jogos Olímpicos 2020, nesta quarta (12/02) o GF ESPORTE traz o Jogos Olímpicos em 1912, faltando 162 dias para edição 2020 que será em Tóquio, no Japão. Diariamente iremos contar todos os preparativos para o maior evento esportivo do mundo. A história dos Jogos, as modalidades, cada uma das edições já realizadas, os brasileiros, as medalhas, e todos os detalhes da edição 2020 que irá deixar os brasileiros com o fuso horário trocado, já que a maioria dos eventos esportivos ocorrerá durante a madrugada no Brasil.

O COI sabia que era negócio seguro manter a Olimpíada na Europa e que no verão sueco encontraria temperatura amena e cidadãos de bons modos. O que surpreendeu até mesmo o Barão Pierre de Coubertin e seus camaradas foi a eficiência de Estocolmo como cidade-sede dos quintos Jogos Olímpicos.
Estocolmo foi sede da 5ª edição dos Jogos
Apesar do alto patamar deixado por Londres 1908, os suecos fizeram aquela que, sem dúvida, foi a melhor edição dos Jogos até então. A começar pelo fato de que os simbólicos cinco anéis olímpicos pela primeira vez fizeram sentido, já que houve representantes dos cinco continentes na disputa.

Por conta própria, a organização sueca instaurou um cronômetro eletrônico para as provas de atletismo – usado pela primeira vez na história olímpica, de forma não-oficial –, alem do photo-finish e de um sistema de alto-falantes para informar os resultados ao público. O COI, ainda traumatizado pelos promotores mais interessados em exposições de bugigangas do que no esporte, achou tudo uma grande maravilha.
Atleta pratica lançamento de dardo nas Olimpíadas de Estocolmo 1912
Mas, com tudo o que a organização sueca teve de bom, também os Jogos de Estocolmo serviram para o Comitê Olímpico aprender com um erro: os suecos, boa gente como eles só, não permitiram que disputas sangrentas de boxe fossem realizadas em seu país. Simplesmente proibiram a modalidade. A partir de então, o COI decidiu limitar o poder do pais-sede na hora de definir o programa olímpico. Como a competição crescia e o interesse em sediá-la também, foi fácil tomar as rédeas e ditar as regras para aquela que seria a próxima anfitriã, Berlim. O problema foi que, em 1916, a Europa não estava nem um pouco em ritmo de união dos povos pelo esporte: a Primeira Guerra Mundial estourou e cortou o ciclo olímpico pela primeira vez.

Fogo na pira! | 10 fatos que marcaram aqueles Jogos

01 - Estocolmo foi a última vez em que o COI levou ao pé da letra a expressão “medalha de ouro”. Depois de 1912, o ouro maciço foi substituído por prata banhada de ouro.

02 - A prova de estrada na competição de ciclismo de 1912 é, até hoje, a corrida mais longa da história dos Jogos, em qualquer modalidade. Os atletas precisaram percorrer 320km. O ganhador foi o sul-africano Rudolph Lewis.
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03 - A luta greco-romana foi outro teste para a resistência dos competidores (e a paciência do público, supõe-se): na fase final dos pesos médios, o russo Martin Klein e o finlandês Alfred Asikainen lutaram durante 11 horas até que Klein saiu vencedor. De tão cansado, não disputou sua última luta, contra o sueco Claus Johansson – que herdou o ouro. A final da categoria meio-pesado, entre o sueco Ahlgren e o finlandês Böhling, também durou suas nove horas. A curiosidade é que houve empate e, por isso, não houve medalha de ouro: os dois dividiram a prata.

04 - O primeiro de uma série de grandes fundistas finlandeses, Hannes Kölehmainen venceu os 5 mil metros – distância na qual estabeleceu o recorde mundial -, os 10 mil metros e também o cross-country individual. Depois de ganhar tudo nessas distâncias, ele se tornaria maratonista – vencedor do ouro em Antuérpia 1920. O herói finlandês foi o responsável por acender a pira olímpica quando os Jogos foram para o pais, em Helsinque 1952.

05 - O grande herói daqueles Jogos foi o norte-americano de origem indígena Jim Thorpe, que venceu o pentatlo e o decatlo – conseguindo o recorde mundial deste. Na entrega da medalha, o rei Gustavo V da Suécia se referiu a ele como “o maior atleta do mundo”. Em janeiro de 1913, porém, Thorpe perdeu suas medalhas porque descobriu-se que já havia recebido (pouco) dinheiro para jogar beisebol anos antes, o que faria dele um esportista profissional e, portanto, proibido de disputar a Olimpíada. Em 1951, a história virou O Homem de Bronze - filme de Michael Curtiz (o diretor de Casablanca), com Burt Lancaster no papel do atleta. Só em 1982 o COI admitiu que a decisão não fazia sentido e devolveu as medalhas. Não a Jim, que já havia falecido, mas à sua filha.
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06 - Um dos membros da equipe austríaca de esgrima que ficou com a medalha de prata no sabre era o presidente do comitê olímpico do pais, Otto Herschmann. Até hoje, é o único a fazer as duas coisas ao mesmo tempo: ser presidente do comitê e medalhista.

07 - Sob não apenas um, mas dois pseudônimos - Georges Hohrod e M. Eschbach -, o Barão Pierre de Coubertin ganhou a medalha de ouro na modalidade literatura durante a competição artística realizada paralelamente à esportiva. O texto premiado: uma “Ode ao Esporte”. Não entendo o porquê dessa cara de desconfiado.

08 - Num dia de calor em Estocolmo, a Olimpíada registrou uma de suas grandes histórias trágicas: no ano em que Portugal participava pela primeira vez dos Jogos, o maratonista Francisco Lázaro,de 24 anos, parou no quilômetro 29 da prova. Caiu duas, três vezes e logo caiu para não mais levantar. Foi o primeiro atleta que morreu durante um prova olímpica. Depois, constatou-se que, além das doses maciças de estricnina, Lázaro tomou outra medida supostamente energizante conhecida na época: besuntou o corpo com um sebo, mistura de essência de terebentina, ácido acético e ovo. Os poros tapados não ajudaram em nada seu desempenho.
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09 - O ginasta italiano Alberto Braglia foi campeão olímpico no individual geral em Londres 1908, mas isso não significou vida fácil para o atleta. Precisou aceitar um insólito bico como “Torpedo Humano” no circo. Além de lhe render uma costela e um ombro quebrados, por causa da atividade profissional foi banido da federação italiana. Nesse ínterim, seu filho de 4 anos faleceu, o que o levou a uma grave crise nervosa. Com isso tudo, Braglia deu a volta por cima: conseguiu o status de amador a tempo de competir em Estocolmo e defender seu titulo olímpico.

10 - Invenção do Barão Pierre de Coubertin, o pentatlo moderno teve sua primeira aparição nos Jogos em Estocolmo. O participante que terminou em 5º lugar futuramente se tornaria um dos protagonistas da 2ª Guerra Mundial, o polêmico general do exército norte-americano George S. Patton – retratado pelo cinema em 1970 em "Patton – Rebelde ou Herói?", ganhador de sete Oscars.

Nesta quinta (13/02), o GF ESPORTE irá destacar a quarta edição dos Jogos Olímpicos em 1916, na Alemanha.

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