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FALTAM 165 DIAS: Paris 1900: Olim... quê?

Dada a largada para a segunda edição dos Jogos Olímpicos
Dando sequência ao Especial de contagem regressiva para os Jogos Olímpicos 2020, neste domingo (09/02) o GF ESPORTE traz o Jogos Olímpicos em 1900, faltando 165 dias para edição 2020 que será em Tóquio, no Japão. Diariamente iremos contar todos os preparativos para o maior evento esportivo do mundo. A história dos Jogos, as modalidades, cada uma das edições já realizadas, os brasileiros, as medalhas, e todos os detalhes da edição 2020 que irá deixar os brasileiros com o fuso horário trocado, já que a maioria dos eventos esportivos ocorrerá durante a madrugada no Brasil.

A verdade é que chamar de “segunda edição dos Jogos Olímpicos” o amontoado de torneios, bate-bolas e churrascadas que pipocaram aqui e ali em Paris durante cinco meses do ano de 1900 é uma tremenda forçação de barra e atende sobretudo a propósitos históricos e estatísticos, como tanta coisa nesta vida.
Os jogos foram realizados junto ao campo de Marte, por falta de instalações mais apropriadas
A intenção original do Barão Pierre de Coubertin quando criou o COI em 1894 era de realizar a edição inaugural dos Jogos coincidindo com a Exposição Mundial de 1900, em Paris. Parecia uma boa idéia para atrair atenção mídiática, mas o que o pai do espírito olímpico esqueceu de levar em conta foi o desinteresse que o esporte ainda gerava como negócio.

Depois de uma estréia de sucesso em Atenas-1896, em 1898 o COI foi obrigado a abdicar dos direitos de organizar aquela Olimpíada e os cedeu à direção da Exposição Mundial, cujo homem forte, Alfred Picard, achava o esporte “uma atividade inútil e absurda”.

A opinião se refletiu na maneira como os Jogos (não) foram organizados: pela primeira e única vez, não houve cerimônias de abertura e encerramento, e as instalações para a maioria das provas eram improvisadas. Enquanto a cidade se embasbacava com a Exposição -- que apresentava ao mundo novidades tão comoventes como o filme falado, a escada rolante ou as sopas enlatadas Campbell --, em nenhum lugar havia qualquer referência a “Jogos Olímpicos”: os cartazes falavam em “Concursos Internacionais de Exercícios Físicos e do Esporte”. Muita gente morreu sem sequer desconfiar que era campeã olímpica.

Mas houve lado bom; porque sempre há. O evento começou a interessar de verdade aos homens do mundo, afinal, foi a partir de Paris-1900 que dois elementos fundamentais passaram a fazer parte dos Jogos: as mulheres e o futebol (a cerveja já existia fazia tempo). Parece pouca coisa, e é mesmo. O Barão admitiria futuramente: “É um milagre que o Movimento Olímpico tenha sobrevivido àquilo.”

Fogo na pira! | 10 fatos que marcaram aqueles Jogos

01 - O americano Alvin Kraenzlein é o único a ter ganho quatro medalhas de ouro individuais no atletismo numa mesma Olimpíada. A do salto em distância, porém, lhe rendeu um olho roxo. Alvin e o conterrâneo Myer Prinstein haviam concordado em respeitar o dia de descanso e não competir nos domingos. Mas Kraenzlein foi à pista, bateu a marca do colega por 1cm e levou para casa a medalha dourada (além de um sopapo na cara).

02 - A primeira presença feminina na história dos Jogos foi no torneio de croquet, que, segundo os alfarrábios, teve público pagante de uma única e elegante pessoa: um senhor britânico. (se você não assistiu a “Alice no Pais das Maravilhas” e, portanto, não está familiarizado com o croquet – favor não confundir com “crochê” -, clique aqui).

03 - Já a primeira campeã olímpica da história foi a britânica Charlotte Cooper, que já era tricampeã de Wimbledon quando conquistou o torneio de tênis feminino. Ela foi outra que morreu sem saber que aquilo que tinha vencido era uma Olimpíada.

04 - A maratona foi uma comédia de erros: o 5o colocado garante que ninguém o ultrapassou; outro sujeito diz ter sido atropelado por uma bicicleta quando chegava nos lideres, dois franceses. Para piorar, no futuro se descobriu que o vencedor, Michel Theato, não era francês nem nunca foi, mas sim de Luxemburgo.

05 - No remo, uma artimanha de última hora da dupla holandesa fez de um anônimo o medalhista mais jovem da história – com idade estimada entre 7 e 11 anos. Para ter o barco mais leve, os holandeses puseram como timoneiro um garoto que andava à toa por ali. A equipe ganhou o ouro, mas o menino desapareceu logo depois da foto de premiação. Até hoje, ninguém sabe quem era o sortudo.

06 - O torneio de futebol foi na verdade um pequeno festival amistoso envolvendo tres clubes: o Upton Park, da Grã-Bretanha; o Club Française, da França, e o Université de Bruxelles, da Bélgica. Na época não houve distribuição de medalhas, mas o COI hoje considera os ingleses como primeiros campeões olímpicos.

07 - Acredita-se também que o primeiro atleta negro a participar dos Jogos – e a conquistar medalha – tenha sido o franco-haitiano Constantin Henríquez de Zubiera. Depois de ajudar a sua equipe a ficar com a prata no cabo-de-guerra, ele fez parte da equipe francesa que levou o ouro no rúgbi.

08 - Pois é isso aí: cabo-de-guerra. Foi nessa modalidade que o jornalista dinamarquês Edgar Aaybe, enviado especialíssimo para cobrir os Jogos, precisou completar a equipe na última hora e acabou campeão olímpico. E não, não houve disputa de queimada, bilboquê, nem bola de gude.

09 - Vítima de paralisia infantil, o americano Ray Ewry começou a se exercitar aos 10 anos e acabou se tornando um ás dos saltos . Só que na época ainda se saltava parado, sem tomar impulso. Ewry foi bicampeão dos saltos triplo, em distância e em altura em 1900 e 1904. Quando o triplo saiu do programa em 1908, ele ganhou as outras duas.

10 - Os irmãos Lawrence e Reggie Doherty chegaram às semifinais de simples no tênis, mas Lawrence - tetracampeão de Wimbledon - se negou a jogar contra o irmão mais novo e menos talentoso. O garotão agradeceu, foi à decisão e saiu vencedor.

Nesta segunda (10/02), o GF ESPORTE irá destacar a terceira edição dos Jogos Olímpicos em 1904, em St. Louis, nos Estados Unidos.


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