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A edição de abril de PLACAR já está nas bancas e nas plataformas digitais

Foi lançada nesta segunda-feira 13 a mais recente edição de PLACAR. Mais do que apenas registrar a série de acontecimentos que levaram a paralisação total dos eventos esportivos em todo o mundo (com a infeliz exceção de alguns países menos cautelosos), a revista do mês traz importantes reflexões sobre o universo do futebol, possíveis pela quarentena imposta pela pandemia do coronavírus.

Além das imagens mais marcantes do último mês, com arquibancadas vazias e jogadores vestindo máscaras em sinal de protesto, PLACAR de abril traz uma entrevista com o ex-meia Alex, ídolo das torcidas de Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, da Turquia. Uma das vozes mais ativas e sensatas do futebol brasileiro, o ex-jogador rechaça a imagem de alienado que é normalmente atribuída aos boleiros.

Também trazemos perfis de três personagens que se destacaram nos últimos 30 dias: a ascensão do norueguês goleador Erling Haaland, do Borussia Dortmund, como Gabigol superou a pior fase da carreira e se tornou o grande influenciador brasileiro e o derretimento da imagem do ex-melhor do mundo Ronaldinho Gaúcho, preso desde Março no Paraguai.

Mas a presente edição também trata da bola dentro de campo. Com a avalanche de reprises que tenta preencher o vazio causado pela ausência de jogos ao vivo, PLACAR reviu e analisou a campanha do tetracampeonato mundial de 1994 e pode atestar: aquele time montado por Carlos Alberto Parreira e capitaneado por Dunga envelheceu bem aos olhos de hoje.

A metade final da revista, batizada desde a edição de Fevereiro como Prorrogação, traz um alívio para aqueles que estão sedentos por boas histórias relacionadas à bola. Além da relação do escritor francês Albert Camus (leia a carta ao leitor abaixo) com o esporte, trazemos pérolas em meio ao vasto acervo de PLACAR: a primeira aparição de Paulo Roberto Falcão nas páginas da revista, uma matéria sobre uma jogadora de futebol no Uruguai no início dos anos 1970, entre outras curiosidades (e a mais recente coluna de Paulo Cezar Caju, é claro).

O escritor francês de origem argelina Albert Camus (1913-1960), personagem do texto de abertura da seção Prorrogação desta edição de PLACAR, bom goleiro na infância e no início da adolescência, instado a tratar de sua magistral obra, disse o seguinte: “Tudo o que sei sobre a moral e as obrigações do homem eu devo ao futebol”. É o caso, agora que o mundo vive sobressaltado pela Covid-19, como se não houvesse amanhã nem ontem, de repisar à exaustão a frase de Camus. A interrupção de todos os grandes torneios do mundo, freio imposto pelo distanciamento social, ao esvaziar gramados e arquibancadas, é um aceno aos cuidados com a saúde, um atalho para o bom senso e a humanidade. Domingo sim, domingo não, virou mau hábito dizer que a bola não poderia parar, nunca, mesmo durante as mais profundas crises. Pode sim. Haverá perdas financeiras, haverá evidente sobreposição de partidas depois que o vendaval baixar, haverá muita grita — mas, quem sabe, ao fim de tudo, os cartolas, os brasileiros especialmente, acordem para a reorganização do calendário, menos mesquinho, menos ganancioso, mais moderno, mais civilizado, enfim. Talvez seja apenas um sonho de atuais noites em claro, mas por que não sonhar?


Por enquanto, o que há, no aqui e agora da bola, neste tempo parado no ar, são imagens comoventes e históricas como a do gramado do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, que virou hospital de campanha, numa parceria entre a prefeitura e o Hospital Albert Einstein, para abrigar os casos mais leves de Covid-19 e assim liberar os leitos de instituições hospitalares municipais. É cena que remete à epidemia de Gripe Espanhola de 1918, que teria provocado a morte de 50 milhões de pessoas em todo o mundo e ao menos 35 000 no Brasil. Naquele período amargo de 100 anos atrás, os campos de esporte também se tornaram centros de abrigo de doentes. O Campeonato Paulista foi interrompido e só terminaria no ano seguinte, vencido pelo Paulistano de Arthur Friedenreich. No Rio de Janeiro, transformado em “um vasto hospital”, na chamada do diário Gazeta de Notícias, o título ficou com o Fluminense do atacante Archibald French, que morreria antes da final, vitimado pela epidemia. São capítulos heroicos que, infelizmente, retornam como alerta.

A redação de PLACAR pretende, nas próximas semanas, nos próximos meses, até quando for necessário, na edição impressa e nas redes sociais, estar atenta aos desdobramentos da pandemia de coronavírus — colada a seus efeitos no cotidiano do futebol, mas não somente a ele, porque, como afirmou Camus, celebram-se os gols apenas como metáfora da moral e das obrigações do ser humano.

*PLACAR acompanha de perto o trabalho das revistas de esporte de todo o mundo, especialmente agora que a pandemia interrompeu os campeonatos. A capa desta edição é inspirada no silêncio aterrador das arquibancadas vazias de uma partida da NBA que aparecem na publicação americana Sports Illustrated.


Fonte: Placar

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