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Única liga europeia em atividade, Belarus tem 10 novos contratos de TV e até animadoras de torcida

Funcionários da Borisov Arena, de máscara, durante a partida do Bate com o Ruh Brest, neste sábado. O Bate venceu por 1 a 0 — Foto: Stringer/Anadolu Agency via Getty Images
Enquanto clubes, federações e ligas por todo o mundo calculam prejuízos, negociam e estudam possibilidades de redefinir o calendário, a Federação de Futebol de Belarus (ABFF) vive um momento único. O país é o único em toda a Europa, e um dos únicos no mundo, com bola rolando. E com público, mas com restrições. Tudo isso deu 10 novos contratos de TV para o campeonato local, que está em sua terceira rodada.

“O que está claro é que é uma situação que nunca ocorreu na competição do nosso país antes. Era difícil vender”, declarou Alexander Aleinik, porta-voz da federação local, à agência Reuters.
Animadoras de torcida do Dinamo Minsk agitam os poucos presentes na partida contra o Torpedo-BelAZ  — Foto: Vasily Fedosenko/Reuters
Segundo a Reuters, países como Rússia, Ucrânia, Israel e Índia transmitirão a competição. Competições de hóquei e basquete, outros esportes populares na ex-nação soviética, também acontecem. Torneios amadores, no entanto, estão suspensos.

Foi jogando hóquei que o presidente do país, Aleksander Lukashenko, afirmou, no último dia 29 de março, que “não há coronavírus” em Belarus. O político, no poder desde 1994, também afirmou, ao jornal “La Gazzetta dello Sport”, que “uma sauna, beber muita vodca e trabalhar duro" é o bastante para "matar o vírus no organismo”.
Danilo Campos, em ação pelo Dinamo Minsk contra o Torpedo BelAZ, na última sexta — Foto: Divulgação/Dinamo Minsk
No entanto, dados da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, indicam, neste sábado, que o país tem 440 casos confirmados e cinco mortes por conta do novo coronavírus.

A Vysshaya Liga, nome da primeira divisão em Belarus, teve dois jogos na sexta e três neste sábado. A terceira rodada será completada neste domingo, com outras três partidas. O Dinamo Minsk, onde atua o brasileiro naturalizado belga, Danilo Campos, venceu o Torpedo BelAZ por 2 a 0. A partida contou até com animadoras de torcida no gramado.

– Os médicos do clube têm passado medicamentos para nos mantermos com imunidade em dia. Bastante higienização, álcool em gel, alimentação saudável, está tudo reforçado para todo mundo estar bem. Temos exames todos os dias. Mede-se peso, temperatura, tudo. Mas a gente não deixa de ficar apreensivo – confessa Danilo, meia de 30 anos, que está em seu segundo ano no Dinamo Minsk.

Com público. Mas sem aglomerações
Maior campeão nacional, o Bate Borisov entrou em campo neste sábado. Venceu o Ruh Brest por 1 a 0, em casa, para pouco menos de 500 pessoas. As torcidas organizadas estão boicotando o torneio. Mesmo que permitido, o acesso do público é feito com uma série de recomendações.

Antes de entrar nos estádios, quem se aventurar para acompanhar a partida tem que, além de ser revistado, ter sua temperatura medida e usar álcool em gel. Dentro das arenas, apenas pessoas do mesmo grupo familiar podem ficar juntas. Tudo isso afasta muito o público na liga, que já tinha médias ruins.

Segundo o site Transfermarkt, cerca de 2,4 mil pessoas iam por partida na temporada passada. Em 2020 – o país tem calendário anual, como no Brasil –, pouco mais de mil torcedores comparecem aos estádios até o momento.

O torneio conta com sete brasileiros. Danilo Campos, do Dinamo Minsk, afirma que há a expectativa para adiamento da liga local desde antes do pontapé inicial. Porém, a cada rodada dão novas justificativas para a manutenção do torneio.

– Já faz umas duas semanas que dizem que vão adiar, mas há sempre uma desculpa. Agora dizem que fecharam contratos com a TV.

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