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Futebol volta na Europa, e covid-19 dispara na América Latina

Borussia Dortmund goleou o Schalke 04 no retorno da Bundesliga. Foto: MARTIN MEISSNER/AFP
Depois de Dortmund, é a vez do Bayern de Munique. Sem jogos há dois meses, o mundo do futebol se prepara para uma nova e prestigiada partida no campeonato alemão, a portas fechadas, neste domingo (17), enquanto na América Latina e Caribe o coronavírus deixa um rastro de 309.000 mortos.

Depois de dois meses de confinamento, em muitos países – em particular na Europa -, as restrições foram aliviadas neste fim de semana. Com isso, torcedores de futebol poderão se sentar em frente à televisão para reviver velhas sensações, ou sair para tomar uma bebida e, para os mais privilegiados, até molhar os pés na água do mar.

A Bundesliga foi o primeiro grande campeonato a ser retomado. Depois dos jogos de ontem, neste domingo, às 13h (horário de Brasília), o “Rekordmeister” enfrenta o Union Berlin.

Como no dia anterior, as partidas serão disputadas sem público, sem apertos de mão e sem crianças acompanhando os jogadores.

Mais de cinco meses após seu surgimento na China, a pandemia que colocou a economia mundial em xeque segue sua corrida mortal.

Na América Latina, o Brasil superou a barreira das 15.000 mortes. Os especialistas consideram que as estatísticas ocultam uma realidade muito mais trágica, enquanto o presidente Jair Bolsonaro continua a criticar o confinamento decretado por alguns governadores.

“Desemprego, fome e miséria serão o futuro daqueles que apoiam a tirania do isolamento total”, tuitou o presidente.

A região da América Latina e Caribe passou dos 500.000 de casos de contágio e está perto dos 28.000 mortos.

Puxão de orelha de Obama
Nos Estados Unidos, o país mais afetado, com mais de 90.000 óbitos, as críticas ao presidente Donald Trump por sua gestão da pandemia aumentam. As últimas, feitas de forma velada, foram de seu antecessor na Casa Branca, o democrata Barack Obama, em um gesto incomum.

“Essa pandemia enterrou a ideia de que nossas autoridades sabem o que estão fazendo”, disse ele a estudantes no sábado.

“Muitos deles nem tentam fingir que são responsáveis”, completou.

Nos EUA, as três gigantes do setor de automóveis – General Motors, Ford e Fiat Chrysler – planejam retomar sua produção progressivamente na segunda-feira, apesar do receio dos trabalhadores.

Na Europa, milhões de pessoas aproveitam seu primeiro fim de semana de relativa liberdade.

A França abriu muitas praias. Várias delas foram literalmente inundadas de pessoas ansiosas para dar um mergulho depois de dois meses em casa.

“Eu realmente senti falta da praia. Estávamos apenas esperando por isso: o anúncio da reabertura!”, celebra Nathanael, de 28 anos, em Saint-Malo (oeste).

Neste país que registrou mais de 27.600 mortes, as viagens ainda são limitadas a um raio de 100 quilômetros de casa, e as praias são reservadas para atividades “dinâmicas”, sem a possibilidade de se deitar na areia para pegar sol.

“Risco calculado”
A Grécia também abriu suas praias particulares, mas com a condição de que sejam respeitadas algumas instruções estritas, como a proibição de colocar um guarda-chuva a menos de quatro metros de seu vizinho. As praias públicas abriram em 4 de maio.

Na Inglaterra, as pessoas correram para os parques, dificultando o respeito às medidas de distanciamento social, no primeiro final de semana de flexibilização do confinamento.

A Espanha, que registrou 87 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, o número mais baixo nos últimos dois meses, pretende reabrir suas fronteiras aéreas para espanhóis e residentes na Espanha.

Anúncios unilaterais de reabertura de fronteiras estão em debate na União Europeia, cuja Comissão deseja uma reabertura “concertada” e “não discriminatória” de fronteiras internas.

O fato de proceder unilateralmente “não fortalece o que devemos fazer para trabalhar em solidariedade”, defendeu o ministro francês do Interior, Guillaume Castaner.

Vigilância na China
A Grécia também suavizou as restrições nas fronteiras para facilitar a chegada de mão de obra estrangeira essencial para a agricultura, especialmente no caso dos vizinhos albaneses, que não são membros da UE.

“Sem os albaneses, não teríamos pêssego”, diz Panagiotis Gountis, agricultor de Veria, no norte do país.

Na Nova Zelândia, a primeira-ministra Jacinda Ardern não conseguiu entrar em um café, devido às regras de distanciamento social definidas por seu governo. Ela queria tomar um café com um grupo de amigos na capital, Wellington, mas foi impedida. O local já havia atingido o número máximo de pessoas permitido.

Neste domingo, o Catar começou a aplicar as sanções mais severas do mundo contra pessoas que não usarem máscara de proteção em público. O infrator pode ser condenado a até três anos de prisão e a multas de mais de 50.000 euros.

Em todas as partes do mundo, vigilância é a palavra de ordem, enquanto se espera uma possível vacina. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta regularmente contra o risco de uma segunda onda de infecções.

Na China, onde o coronavírus estava sob controle, as autoridades levam essa possibilidade muito a sério.

“Enfrentamos um grande desafio”, disse à CNN Zhong Nanshan, um dos principais assessores do Ministério da Saúde, observando que uma “maioria” de chineses “provavelmente será infectada” no futuro.

Zhong também reconheceu que as autoridades de Wuhan, o epicentro da pandemia, ocultaram a amplitude da pandemia quando ela surgiu no final de dezembro.

Nesta segunda-feira (18), os 194 Estados-membros da OMS farão uma reunião por teleconferência para tentar coordenar a resposta à pandemia, um compromisso sob a ameaça de um confronto direto entre Washington e Pequim.

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