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Carioca: clubes se reúnem com a Ferj confiando em aval da prefeitura para jogos

Rubens Lopes, presidente da Ferj Foto: Úrsula Nery/Ferj
Os clubes da Série A do Carioca se reúnem nesta segunda-feira à tarde para debater itens que dizem respeito à retomada do futebol. Dirigentes ouvidos pelo GLOBO ainda não têm total certeza de que o arbitral da Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj) trará uma data exata para o reinício da competição, mas há quem já trabalhe com a informação de que a prefeitura do Rio sacramentará, quarta-feira, a autorização para reinício dos jogos com portões fechados.

Internamente, o Flamengo é um dos que dão como favas contadas o aval das autoridades. O clube faz atividades nos campos do Ninho do Urubu desde o dia 20 de maio e terá o Bangu como primeiro adversário, pela quarta rodada da Taça Rio.

— Estou pronto. Se marcar jogo, eu jogo. Não vou dar prazo. Se houver maioria que estabeleça o reinício do campeonato em um período qualquer, vamos acatar e estamos prontos. Tudo isso após autorização dos órgãos governamentais, sem atropelo — disse o presidente do conselho diretor do Bangu, Jorge Varela, cujo time também já retornou aos treinos e está concentrado em um hotel na Zona Oeste.

Mas entre o aval governamental e a marcação dos jogos, existe uma rota a ser percorrida. Por isso, nos bastidores, há quem ache improvável que a Ferj assinale a data de retorno antes da oficialização do aval do prefeito Marcelo Crivella.

Assuntos técnicos
Na pauta do arbitral não está prevista textualmente a deliberação sobre a datas. Um dos itens envolve “assuntos pertinentes às partidas complementares do Carioca passíveis de discussão por decisão preliminar favorável da maioria”.

Dirigentes de clubes conversaram informalmente entre si e com a Ferj no último sábado a respeito dos rumos para a retomada. O papo não envolveu Fluminense e Botafogo, situação que gerou desconforto em ambos os clubes. Em nota, a Ferj ressaltou que “até o Conselho Arbitral, tudo não passa de hipóteses ou mera especulação sobre a data de reinício do Campeonato Carioca”.

O arbitral também se propõe a debater detalhes do protocolo “Jogo Seguro”, como uma espécie de passaporte para cada integrante de delegação. Ele atestará as boas condições de saúde. Além disso, a Ferj debaterá com os clubes itens técnicos do regulamento, como inscrição e registro de atletas, número de substituições por jogo, quantidade de atletas não profissionais a ser usada e o desfecho do Grupo Z — a briga contra o rebaixamento.

Testagem protocolar
Conforme o protocolo, os clubes precisam testar suas delegações 48 horas antes das partidas. O Flamengo fará nesta segunda sua bateria de teste semanal, por conta própria. O mesmo acontecerá com o Boavista, por exemplo. Mas a testagem protocolar é conduzida e bancada pela Ferj, antecedendo o confinamento de quem não estiver com o coronavírus.

Um retorno a curto prazo seria um problema técnico e físico para o Botafogo e, principalmente, o Fluminense. Os dois clubes ainda não reiniciaram os treinos presenciais, em campo. O trabalho de recondicionamento físico tem sido remoto. Nesta terça-feira, o tricolor realizará a primeira testagem de atletas e comissão técnica (IGG/IGM e PCR). A previsão do clube é que os resultados saiam em uma semana.

O Fluminense foi quem mais sublinhou o desejo de adiar ao máximo o reinício do Carioca, alegando preocupação com a saúde. O desentendimento com os outros dirigentes chegou a tal ponto que o presidente Mário Bittencourt saiu do grupo de Whatsapp no qual o tema é discutido.

O Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio (Saferj) participará do arbitral, embora não tenha poder de voto. O órgão defende um prazo de 15 dias para pré-temporada dos times, a partir da certeza de reinício do Estadual. Mas a ideia é não fazer oposição, caso as autoridades abram o caminho para o retorno.

— A nossa posição sempre foi defender a volta a partir do momento em que as autoridades derem sinal verde. Particularmente, não tenho 100% de segurança. Mas, institucionalmente, é essa a nossa posição: eles autorizando, a preocupação continua, mas não há como ir contra o que falamos o tempo todo. As autoridades são as principais figuras agora — disse Alfredo Sampaio, presidente do Saferj.

Fonte: Igor Siqueira - colaborou Diogo Dantas
O Globo

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