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Remador do Vasco, campista Lucas Azeredo treina em casa desde o início da quarentena

Atleta treina em simulador emprestado pelo Rema Campos
A pandemia da Covid-19 adiou a estreia do remador campista Lucas Azeredo em 2020. Único atleta peso leve masculino do Vasco, ele ficou de fora da primeira regata do Campeonato Estadual pelo fato de a prova single skiff da categoria não ter integrado o cronograma da etapa. Competiria na segunda regata, inicialmente prevista para 26 de abril, mas que precisou ser adiada. O mesmo acontecerá com a terceira, agendada no calendário para este domingo. 

Os remadores de alto rendimento dos clubes cariocas retomaram no início desta semana os treinos na Lagoa Rodrigo de Freitas, mas, como reside na sede náutica do Vasco, que ainda não teve o alojamento reaberto, Lucas segue com a família em sua cidade natal, onde treina desde o início da quarentena usando um simulador emprestado pelo Rema Campos, projeto que o revelou.

—Consegui o remoergômetro com o Cristiano Berenger, atual presidente do Rema Campos. Peguei emprestado e não parei de treinar. Estou seguindo o protocolo normal, como se estivesse lá no Rio. Mas, treinando em casa, no simulador — disse Lucas, que na próxima semana vai completar três meses trealizando as atividades apenas no aparelho. Além da rotina de treinos, outra missão tem sido manter a alimentação regrada: — Estando em casa, a tendência é relaxar um pouco. Mas, estou conseguindo não fugir da dieta.

Aparelho de preparação física para a modalidade, o remoergômetro funciona com movimentos do remo, servindo para avaliação e condicionamento físico dos atletas. Em maio, a Confederação Brasileira de Remo realizou o Desafio Remo Brasil Indoor, com atletas de todo o país competindo através do aparelho, que simula o tempo levado para remar determinada distância. Lucas e os companheiros de equipe não competiram devido à opção do Vasco de não interferir no cronograma de treinos.

Embora ainda não haja previsão de datas para o reinício das competições, o campista acredita que a Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro (FRERJ) não deve cancelar o Campeonato Estadual. Ele ressalta que, quando as provas voltarem a acontecer, será necessário um período de readaptação até que os atletas alcancem o nível em que estavam antes da parada. Por enquanto, o Campeonato Brasileiro de Barcos Longos segue agendado para setembro.

— Devem manter o Estadual 2020 com adaptações nas datas, realizando as etapas que faltam em períodos mais curtos. Pode ser que o nível técnico das competições caia um pouco, pelo tempo que a gente está ficando sem remar, sem ter contato com o barco. O remo é um esporte muito técnico e psicotécnico também. Esse tempo todo parado, com certeza, vai prejudicar bastante. Mas, como todos os clubes, todos os remadores do país estão mais ou menos o mesmo tempo parados, não vejo algum estado com maior vantagem do que o outro, não. Vai voltar todo mundo no mesmo nível — analisou o campista.

A única etapa do Estadual já disputada, em 8 de março, teve como vencedor o Flamengo, campeão da temporada 2019. Em fevereiro, o Rubro-Negro já havia conquistado o tricampeonato brasileiro de barcos curtos. Clube de Lucas, o Vasco é atualmente a terceira força do remo no Rio, atrás também do Botafogo.

— Infelizmente, a situação financeira do Vasco não permite brigar pelos campeonatos. Mas, nas categorias em que o Vasco tem condições de chegar, que são as categorias de base, permanece da mesma forma, a quarentena não ajuda nem atrapalha — opinou Lucas.

Ajuda ao pai e luto pelo falecimento da tia
Fora do esporte, Lucas Azeredo tem usado o tempo livre para aproveitar a família, algo que não podia fazer com frequência devido à agenda cheia na capital fluminense. Entre os afazeres, voltou a colaborar no trabalho do pai, pedreiro, como na época em que morava em Campos:

— Estou curtindo mais a família. Tenho ajudado meu pai no serviço dele, para levantar uma grana também. Claro, tomando as devidas precauções.

No último dia 3, Lucas perdeu uma tia para a Covid-19. Moradora do bairro conhecido como quilômetro 10, no Parque Canaã, Jocilene Tavares dos Santos foi a óbito na véspera de completar 52 anos. Ela estava internada no Centro de Controle e Combate ao Coronavírus (CCC) de Campos.

Para o remador, as circunstâncias do momento atual devem servir de aprendizado.

— Aprendi que não podemos ter controle de tudo em nossas vidas. Aprendi a respeitar mais o tempo, e replanejar tudo o que tinha planejado para alcançar meus objetivos — afirmou.

Fonte: MATHEUS BERRIEL - Folha da Manhã

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