Guia Olímpico Tóquio 2020: Badminton, Basquete e Basquete 3x3

O badminton nasceu na Índia, a estreia do basquete foi inusitada e o basquete 3x3 é o basquete de rua em sua mais pura essência

Esportes de Quadra 19 de julho de 2021 às 08h46
Granger Ferreira / GFEsportes.com.br

Foram cinco anos de espera - um a mais do que todos imaginavam depois do encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Meia década depois, o mundo é completamente diferente. Assolado por uma pandemia que ainda constrói muros e destrói laços, o planeta viu o esporte paralisar quase por completo, acompanhando as bilhões de pessoas que ficaram em casa à espera da vacina. A esperança, porém, sempre foi de que a chama olímpica pudesse representar a renovação da humanidade em meio ao caos.

EM DESTAQUE O BADMINTON / BASQUETE / BASQUETE 3X3

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FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Musashino Forest Sports Plaza
Período: de 23/07 a 02/08
Participantes: 173 atletas de 50 delegações
Brasil: Ygor Coelho (masculino) e Fabiana da Silva (feminino)

O badminton nasceu na Índia, com o nome de "poona". Oficiais ingleses a serviço neste país gostaram do jogo e acabaram levando para a Europa. O "poona" passou a se chamar badminton quando, na década de 1870, uma nova versão do esporte foi jogada na propriedade de Badminton, pertencente ao Duque de Beaufort's, em Gloucestershire, Inglaterra. Em 1934 foi criada a Federação Internacional de Badminton, com sede justamente em Gloucestershire.

A história do badminton no Brasil tem início no Clube dos Ingleses, na cidade de Santos, no ano de 1938. Porém, a prática da modalidade tornou-se competitiva a partir da década de 80, quando foi disputada a primeira edição da Taça São Paulo. A Confederação Brasileira de Badminton, entretanto, só foi fundada em 1993.

O badminton fez sua primeira aparição nos Jogos Olímpicos em Munique 1972, porém o esporte foi disputado como demonstração, assim como em Seul 1988. A estreia oficial da modalidade ocorreu nos Jogos de Barcelona 1992 com quatro eventos distribuindo medalhas: simples (masculino e feminino) e duplas (masculino e feminino). A partir de Atlanta 1996, foi incluída a categoria de duplas mistas.

Na primeira edição em que o badminton foi disputado oficialmente na Olimpíada, quatro medalhas eram distribuídas nos quatro eventos disputados: ouro, prata e dois bronzes para os perdedores das semifinais. A partir da edição seguinte, os perdedores das semifinais passaram a disputar uma única medalha de bronze, permanecendo assim até os dias atuais.

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BRASIL
A participação olímpica do país na modalidade se resume apenas a Rio 2016, em que Ygor Coelho e Lohaynny Vicente foram os representantes do país nas disputas individuais, mas não conseguiram nenhuma vitória.

No masculino, Ygor Coelho conseguiu sua classificação através do ranking mundial. Ele perdeu para o irlandês Scott Evans por 2 a 1 e para o alemão Marc Zwiebler por 2 a 0. Nascido no Rio de Janeiro, Ygor disputará em Tóquio a sua segunda Olimpíada.

Já Lohaynny Vicente conquistou a vaga através da cota que o Brasil tinha por ser país-sede. Ela foi derrotada para a indiana Saina Nehwal por 2 a 0 e para a ucraniana Marija Ulitina pelo mesmo placar. Lohaynny não estará em Tóquio, mas o badminton feminino brasileiro terá uma representante: Fabiana Silva, que conquistou a vaga pelo ranking mundial.

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FORMATO DE DISPUTA
Serão disputadas cinco categorias nos Jogos Olímpicos: simples masculino e feminino, duplas masculinas e femininas e duplas mistas. Na competição de simples, os atletas foram divididos em 14 grupos, passando apenas o campeão de cada grupo para a fase do mata-mata. Os campeões dos Grupos A e P, onde estão os melhores ranqueados, se qualificam diretamente para as quartas de final.

Já nas duplas a fórmula é mais simples. As 16 duplas de cada categoria foram divididas em quatro, passando as duas melhores duplas de cada chave para as quartas de final, onde a partir daí o sistema é eliminatório até a decisão.

Badminton (2 atletas):

Fabiana da Silva: individual feminino

Ygor Coelho: individual masculino

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FICHA TÉCNICA
Local: Saitama Super Arena
Período: de 24/07 a 08/08
Número de delegações participantes: 24 seleções de 18 países (12 por naipe)
Total de atletas: 288 (12 por equipe)
Brasil: não se classificou em ambos os naipes

HISTÓRICO
Esporte coletivo criado em 1891 pelo professor de educação física canadense James Naismith, o basquete teve sucesso imediato e rapidamente conseguiu ser esporte de demonstração na Olimpíada de 1904, em Saint Louis (USA). Mas ele só veio a figurar oficialmente no programa olímpico na edição de Berlim, em 1936. 

A estreia do basquete foi inusitada, já que o torneio olímpico foi disputado em quadras de tênis ao ar livre. Ao menos, o Dr. Naismith foi o responsável por entregar as medalhas para os três primeiros colocados do esporte que criou. 

Já para os Jogos de Londres em 1948, a competição foi enfim disputada em um ginásio fechado com piso apropriado pela primeira vez, o que se seguiu em todas as edições desde então. Foi somente na edição de Montreal, em 1976, que as mulheres estrearam na modalidade, 40 anos depois dos homens.

No bola-ao-cesto, não tem para ninguém: Os Estados Unidos são os maiores vencedores dos torneios olímpicos de basquete tanto no masculino quanto no feminino: Entre os homens, foram 15 ouros em 19 edições. Apenas a União Soviética (Munique 1972 - vencida em cima dos estadunidenses, em uma final que rende polêmicas até hoje - e Seul 1988), Iugoslávia (Moscou 1980, Olimpíada sem participação dos Estados Unidos) e Argentina (Atenas 2004) conseguiram furar o domínio dos Estados Unidos no lugar mais alto do pódio na modalidade.

Entre as mulheres, a hegemonia estadunidense também é imensa, com 8 ouros em 11 torneios disputados (seis deles de forma consecutiva entre 1996 a 2016). Apenas a União Soviética (em Montreal 1976 e Moscou 1980) e a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), da Antiga União Soviética (Barcelona 1992), conseguiram roubar o ouro olímpico da mão das norte-americanas.

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BRASIL
O Brasil esteve presente na estreia do basquete no masculino em 1936 e disputou 15 de 19 edições, ficando de fora apenas nas edições de 1976, 2000, 2004, 2008 e agora, em 2021. Já no feminino, o Brasil só conseguiu estrear na edição de 1992, mas disputou sete edições consecutivas até os Jogos do Rio em 2016. A equipe ficou de fora de Tóquio-2020. 

A Olimpíada em solo japonês, aliás, será a primeira em 45 anos em que o Brasil não estará em nenhum torneio olímpico do basquete.

Na modalidade, o país tem uma bela história, com cinco medalhas: uma de prata, com a seleção feminina em Atlanta 1996, e quatro de bronze (1948, 1960 e 1964 com a seleção masculina e em 2000 com a seleção feminina).

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FORMATO DE DISPUTA
Para diminuir a quantidade de jogos, a Federação Internacional de Basquete (FIBA) decidiu mudar a configuração dos grupos do torneio olímpico. Antes eram dois grupos de seis seleções, em que as quatro melhores de cada chave avançavam às quartas de final.

Em Tóquio serão três grupos de quatro seleções cada: avançam para as quartas de final os dois melhores de cada grupo, mais os dois melhores terceiros colocados. O sistema eliminatório continua o mesmo, com quartas de final, semifinais e finais. Agora uma seleção só precisa de seis jogos para ser campeã olímpica, ao invés dos oito como era anteriormente.

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FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Parque de Esportes Urbano Aomi (local temporário à beira-mar)
Período: 23 a 28 de julho
Número de delegações participantes: 13
Total de atletas: 64 (4 por equipe)
Brasil: Não se classificou


HISTÓRICO
O basquete 3x3 é o basquete de rua em sua mais pura essência. A prática do basquete em meia quadra se iniciou pelos Estados Unidos, mas logo se espalhou pelo resto do mundo. Não é difícil achar grupos jogando em quadras de basquete em meio a grandes centros urbanos no mundo.

Hoje, o 3x3 é considerado a modalidade urbana número 1 do mundo, com milhões de praticantes pelo planeta. O jogo dinâmico ajuda a empolgar jogadores, público e espectadores que veem de casa. A cultura urbana do basquete ainda se mistura com música, principalmente o hip hop. A facilidade em formar torneios de 3x3 também favorece a realização de eventos em lugares magníficos, como em  pontos turísticos e históricos de uma cidade.

O conceito de campeonato foi desenvolvido pela primeira vez em 2007, onde a Federação Internacional de Basquete (FIBA) testou uma competição de basquete 3x3 nos Jogos Asiáticos em Recinto Coberto, disputado em Macau. No ano seguinte a FIBA seguiu testando, em eventos na República Dominicana e na Indonésia.

O pré-teste terminou com boa aceitação, a FIBA então evoluiu os testes para os Jogos Asiáticos da Juventude, em 2009, e para a Olimpíada da Juventude, em 2010. O retorno foi extremamente positivo e a decisão estava tomada, a Federação Internacional iria promover o primeiro Campeonato Mundial de basquete 3x3. Em 2012 aconteceu o primeiro Mundial em Atenas, na Grécia. A Sérvia foi a primeira campeã do mundo no 3x3.

Já em 2012, foi a vez da FIBA lançar o FIBA 3x3 World Tour, o Circuito Mundial do 3x3. Por fim, em 9 de junho de 2017, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que a modalidade era a nova incluída no programa olímpico de Tóquio 2020, marcando o que tem tudo para ser uma grande história da modalidade em Olimpíadas.

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BRASIL
Apesar de ser um país onde a cultura do basquete de rua é extremamente forte, o Brasil não tem tanta tradição a nível mundial. O melhor resultado da seleção brasileira foi uma medalha de prata conquistada nos Jogos Mundiais de Praia, realizado em Doha, no Catar, em 2019.

Lá, o time sub-23 do masculino perdeu para a Rússia na final por apertados 21-19. O time feminino também fez bonito, terminando na 4ª colocação, mas vencendo as norte-americanas, que tinha atleta da WNBA.

Outro grande resultado da seleção brasileira foi no Mundial sub-18, em 2016. Sob comando do carioca Fabrício Veríssimo, o Brasil foi vice-campeão mundial, perdendo para o Catar na final. Fabrício foi MVP da competição e hoje é destaque da seleção adulta.

As meninas possuem o melhor resultado brasileiro no Mundial 3x3. Em 2014 elas venceram dois dos cinco jogos disputados na fase de grupos, avançando para as oitavas com a última vaga. Lá, acabaram derrotadas pelas belgas por 17 a 8. A seleção masculina nem passou da fase de grupos, com apenas uma vitória.

Antes a seleção masculina e feminina haviam estado no Mundial de 2012, mas perderam todos os jogos. Em 2016 e 2017 não tivemos seleção em nenhum naipe, mas em 2018 e 2019 a equipe masculina ficou na antepenúltima colocação entre 20 times.

Ainda em 2019, ambas seleções disputaram os Jogos Pan-Americanos de Lima, mas ficaram com a 4ª colocação. Jefferson Socas, um dos destaques do time, foi o único que falou com a imprensa após a derrota para a República Dominicana na disputa do bronze.

Em entrevista ao Olimpíada Todo Dia, ele disse a seguinte frase: “Essa medalha ajudaria bastante. É muito difícil fazer 3×3 no Brasil, são poucos os times que conseguem. A maioria tira do bolso. Temos que trabalhar, ajudar em casa, se virar com dois empregos e treinar à noite. Temos muito menos tempo de treino do que a Seleção de 5×5. Nos encontramos três ou quatro dias antes de cada competição. Isso dificulta muito. O basquete 3×3 é um esporte de conjunto, sinergia, entrosamento. É complicado. A gente perdeu por detalhes. Se tivermos mais investimento, visibilidade e apoio, mostramos que batemos de frente com todo mundo e que falta pouco para brigarmos nas cabeças”.

Mas e Olimpíadas? Bom, o Brasil esteve muito próximo de disputar o basquete 3x3 em Tóquio no torneio masculino, mesmo com o desfalque de Murilo Becker - cortado por lesão. O Brasil teve três vitórias - o maior número de triunfos do Brasil em uma competição desse nível no adulto - mas acabou derrotado nas quartas-de-final do Pré-Olímpico para o time da França por 21 a 19, terminando com o sonho olímpico para Tóquio. No feminino, as meninas já não tinham chances de classificação.

Pode ser uma imagem de em pé, ao ar livre e texto que diz "VEM AI A CARAPEBUS 2021 CRMNID Atlética AAD C AGORA NA SÉRIE B1 Carapebus-RJ"
FORMATO DE DISPUTA
O formato de disputa do 3x3 é bem simples. Oito (8) seleções de cada naipe se classificaram para os Jogos Olímpicos, todos estando em um mesmo grupo. Em uma única quadra principal, homens e mulheres realizam o mesmo evento em conjunto.

O formato faz todo mundo se enfrentar, com cada seleção possuindo sete (7) partidas na fase inicial, duas (2) no primeiro dia, duas (2) no segundo dia, duas (2) no terceiro dia e a partida final no dia 4 da competição.

As equipes que ficarem em 7º e 8º estão eliminadas, com os dois (2) primeiros colocados avançando direto para a semifinal. Os classificados de 3º a 6º (o 3º enfrenta o 6º e o 4º duela contra o 5º) se enfrentam em duas partidas de quartas-de-final a serem realizadas após as últimas partidas da fase de grupos no dia 4 do torneio olímpico. O 5º dia de basquete 3x3 terá as semifinais e disputas de medalhas.

Fonte: Surto Olímpico
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