Campeão da Série C do Carioca, Paduano colhe frutos de parceria com o Exército

Transforma jogadores em soldados e vira base da seleção brasileira militar

Futebol 11 de setembro de 2021 às 08h49
Granger Ferreira / GFEsportes.com.br

No último domingo, em jogo realizado no Estádio Moça Bonita, o Paduano venceu o Búzios nos pênaltis (4 a 3) e conquistou o título da Série C do Carioca, que é o equivalente à quinta divisão do Rio de Janeiro. A equipe de Santo Antônio de Pádua, cidade distante 185 quilômetros da capital, agora se prepara para jogar a B2 dentro de duas semanas e colhe os frutos de uma parceria com o Exército que vai além das quatro linhas.

O convênio firmado no ano passado está estampado no peito do uniforme, do lado oposto ao escudo do clube. E também é evidente no dia a dia: o time não treina em Pádua, para começar. Em vez disso, os treinamentos são realizados no Centro de Capacitação Física do Exército (CFFEx) na Urca, sob a sombra do Pão de Açúcar e às margens da Baía de Guanabara. "Algumas equipes de Série A não têm uma estrutura como essa", se gaba Márcio Barros, gestor de futebol do Paduano.

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Lá, jogadores e comissão técnica têm à disposição uma estrutura com campos de futebol que utiliza a mesma grama do Maracanã, academia, alojamentos, departamento médico completo e refeições que vão do cafè da manhã à janta. Foi o centro de treinamento escolhido pela seleção da Inglaterra durante a disputa da Copa do Mundo de 2014 e é utilizado com frequência por equipes do Brasileirão que vêm jogar no Rio, com Atlético-MG e Internacional entre os casos mais recentes.

Paduano treina no Centro de Capacitação Física do Exército, na Urca, ao lado do Pão de Açúcar - Tébaro Schmidt / ge

Embora com auxílio da diretoria do Paduano, captação e contratação dos jogadores também ficam sob responsabilidade dos militares, que pagam os salários e oferecem benefícios como planos de saúde, férias e assistência médica, incluindo nutricionista e fisioterapeuta. A seleção é feita por meio do Programa Atletas de Alto Rendimento, uma parceria entre os Ministérios da Defesa e da Cidadania com as Forças Armadas - a gestão das modalidades é dividida entre as três Forças, de modo que o futebol fica com o Exército da mesma maneira que o atletismo fica com a Aeronáutica e o judô com a Marinha, por exemplo.

Por isso, todos os jogadores do Paduano são militares, o que significa que gozam dos privilégios de uma carreira militar temporária ao mesmo tempo em que precisam cumprir suas obrigações.

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- Eles têm todos os direitos, mas também todos os deveres de um militar - explica o Capitão Mauro Maia, treinador da equipe.

- Tem que manter a barba baixa, cabelo baixo, não pode se envolver em confusões, ser pego no doping. Eles passam por alguns compromissos aqui na Urca, precisam passar por reciclagem da legislação, fazem avaliação médica, física, são monitorados durante o ano - completa ele.

Jogadores do Paduano comemoram título da Série C do Carioca com o técnico Mauro Maia - Ana Fotografia Brasil

Veja como foi a disputa de pênaltis que deu o título ao Paduano sobre o Búzios no último domingo
Alguns atletas campeões da Série C do Rio com o Paduano já estavam dentro do projeto do Exército (que experimentou parcerias parecidas sem muito sucesso com Mangaratibense e São Gonçalo EC nos últimos anos), mas a maioria precisou passar pelo processo de seleção: um edital que levanta as fichas criminais, jurídicas e avalia os candidatos de acordo com suas capacidades.

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Uma vez aprovados, eles são submetidos a um estágio de 15 dias para ingressar na vida militar. É onde são ensinados a marchar, a vestir a farda, aprendem a se virar na floresta e se debruçam sobre a hierarquia e os costumes militares. Também tomam aulas de tiro, coisa que nem mesmo o veterano Leandro Carvalho, ex-Botafogo e já em reta final de carreira, imaginou vivenciar.

"Nunca pensei que iria um dia atirar de fuzil. Como eu vou atirar? Onde vou arrumar um fuzil? (risos)", conta o volante de 37 anos, capitão da equipe.
- Agora somos militares, o curso aqui dentro foi para isso. Nós ficamos três dias na selva, foi uma experiência surreal. Você aprende a matar algum animal, a sobreviver, a se guiar pela bússola à noite, faz curso de tiro e outras diversas coisas. É diferente pra caramba, algo que a gente nunca viveu, e eu comecei a viver com 35, 36 anos. Uma experiência única na vida - acrescenta o jogador revelado no Botafogo com passagens por Sport, Guarani e São Caetano.

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Afinal de contas, qual é o interesse do Exército em bancar um time de futebol?

A resposta é simples: calendário.

Desde o início das disputas esportivas militares de nações, a seleção brasileira de futebol sofre com o fato de não conseguir manter seus atletas em atividade nos hiatos entre as competições. Normalmente, os jogadores são reunidos na véspera e portanto têm pouco tempo para afinar o entrosamento - enquanto isso, países como China e Egito pinçam os melhores atletas (todos militares) de suas ligas domésticas e conseguem montar poderosas equipes.

A ideia de se juntar a um clube de futebol surgiu dentro dessa necessidade. Não há eventos o suficiente para manter a seleção de futebol em atividade durante o ano inteiro: o Mundial que seria realizado este ano no Egito foi adiado por conta da pandemia e a próxima edição dos Jogos Militares é só em 2023, por exemplo.

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "HORÁRIOS DAS REUNIÕES SEGUNDA-FEIRA 6H,7H, 7H, 10H, 12H, 14H, 16H, 19H, 21H TERÇA-FEIRA ÀS 6H, 7H, 10H, 12H, 15H, 19H QUARTA-FEIRA 6H, 10H, 12H, 15H, 19H QUINTA-FEIRA ÀS 6H, 7H, 10H, 12H, 15H, 19H SEXTA-FEIRA ÀS 6H, 7H, 10H, 11H30, 15H, 19H SÁBADO ÀS 6H, 10H, 12H, 14H, 19H DOMINGO ÀS 7H, 9H30H, 15H, 18H"

- Essa parceria só existe porque a gente disputa as competições internacionais militares, a gente precisa estar em atividade, a equipe tem que estar reunida, buscando o melhor entrosamento e jogando as competições civis aqui no país. Caso contrário, se estivéssemos treinando e jogando juntos, só nos reuniríamos ali de última hora - esclarece o Capitão Mauro Maia, que desde 2013 é técnico da seleção.

Leandro Carvalho em ação pela seleção brasileira militar - Ana Fotografia Brasil

Logo, o Paduano se tornou a base da seleção brasileira militar. Se o objetivo é entrosar os jogadores, não há motivo para estabelecer parcerias com outras equipes além da de Santo Antônio de Pádua. O convênio será mantido para a disputa da Série B2 do Carioca, que começa no fim do mês, e o gestor Márcio Barros já garantiu que é grande a possibilidade de continuar no ano que vem.

- É uma parceria boa para ambos os lados. Como eles têm o projeto de alto rendimento, estão de olho nos Jogos Mundiais Militares, mas não tem calendário, esse projeto fica parado por muito tempo. A gente tem calendário, a gente consegue colocar eles em movimento. A gente usa a estrutura deles, e eles ganham o nosso projeto esportivo de calendário e damos suporte a eles também - disse Márcio.

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Esses jogadores atualmente no Paduano estão sendo preparados para tentar buscar a primeira medalha de ouro da seleção masculina de futebol na história dos Jogos. Pentacampeão no Mundial, o país subiu ao pódio uma única vez no que é considerada as Olimpíadas do universo militar: foi bronze na quinta edição do evento que aconteceu em 2011, no Brasil.

O técnico Mauro Maia espera que as vitórias do projeto possam atrair mais candidatos.

- A gente precisa desenvolver mais a nossa equipe, convocar jogadores com maior qualidade. Essa visibilidade está vindo só agora, estamos disseminando o nosso projeto. O trabalho aqui é simples, mas é bem feito, bem planejado, responsável e honesto. Com certeza os jogadores vão começar a se interessar mais quando conhecerem melhor, vamos entrar em melhores competições para poder angariar os melhores jogadores. O objetivo é poder trazer o título de campeão.

Pode ser uma imagem de texto que diz "SUPER CUP Norte Noroeste 2021 Início 07 a 11/12/2021 CATEGORIAS: SUB 09 - Ano 2012 SUB 11 Ano 2010 SUB 13 Ano 2008 PERÍODO INSC.: A partir do dia 04/05 Até 15/10/2021 Inscrições Limitadas 03 FASES: FASE DE GRUPOS SEMI FINAL FINAL LOCAL CAMPOS DOS GOYTACAZES RJ PREMIAÇÕES: TROFÉUS Campeão/ Vice TROFÉU- Goleiro (-) vazado TROFÉU Artilheiro MEDALHAS Campeão Vice CONTATO (WHATSAP) (22) 99996-8286 (Carlos 99732-8272 Marco Aurélio) E-mail: magnograca02@gmail.com AOD- MFD DIGITU'S Distribuidora de CENTRO FORMAÇÃO Instituto SW por Todos Sawanna MARKETING ESPORTIVO"

SOLDADOS E SARGENTOS
Jogador mais experiente do elenco, Leandro Carvalho conta que ouviu falar sobre o projeto do Exército pela primeira vez em 2017, quando atuava pelo Madureira. Dois anos depois, ele se inscreveu para o edital, foi aprovado e deu início à experiência militar. Ele é cria de Jacarepaguá, bairro da Zona Oeste do Rio, portanto não queria mais se afastar da família depois de anos rodando por São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco... Mas a oferta de estabilidade também teve peso fundamental..

O lateral-direito Marcos Baiano, o "Bahia", é um dos seis jogadores do Paduano com patente de 3º Sargento - Márcio Menezes

Leandro ingressou no programa em 2019, justamente no momento em que buscavam atletas com mais rodagem para encorpar o time que se preparava para os Jogos Mundiais na China - com ele, o Brasil acabou sendo eliminado ainda na primeira fase, no grupo que tinha Bahrein, Coreia do Norte e França. Com o prestígio por ter passado por equipes grandes e atuado nas principais competições do país, o volante foi incorporado logo com a patente mais alta: ele é o 3º Sargento Leandro Carvalho.

Pode ser uma imagem de em pé e texto que diz "Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. Mateus 6:33 PENIEL SERRALHERIA Direção: ALBERTO ACEITA OS CARTÕES: elo Rua Dr. Júlio Barcelos, 349 -Jockey ao lado do Colégio Costantino Fernandes Portões, grades, galpões, estruturas metálicas, cobertura de policarbonato e muito mais ORÇAMENTO: (22) 99822-8458 MasterCard VISA"

- Aqui tem toda uma estabilidade financeira. Se você pegar o Carioca, por exemplo, você joga só quatro meses. Aqui, no ruim no ruim, você fica um ano recebendo, e isso é renovável ano a ano, dependendo da produtividade. Igual futebol aí fora, se você não produzir, é mandado embora. Fora a estrutura, né. O campo é excelente, academia, alimentação perfeita, tem todo tipo de médico aqui dentro. Sempre falo pra essa rapaziada que pegar uma estrutura dessa aí fora é muito difícil, isso que pesa muito - diz.

No time atual do Paduano, existem seis sargentos. Além de Leandro, possuem a patente mais alta o volante Anderson Domingues, 31 anos; o lateral-direito Marcos Baiano, o "Bahia", 35 anos e ex-Athletico; o meia Accioli, 29 anos; o lateral-esquerdo Paulo Victor, 33 anos; e o atacante Dudu, 29 anos, revelado nas categorias de base do Flamengo e com passagens pelo futebol de Portugal e Croácia.

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O restante dos jogadores, em sua maioria mais jovem, ostenta a patente de soldado. Eles recebem aproxidamente um salário mínimo do Exército ("que não atrasa", pontua Mauro), e o Paduano entra com um acréscimo salarial por conta da parceria. "Os clubes hoje atrasam muito pagamento, isso quando pagam, então esse projeto como um todo ajuda a atrair os jogadores", lembra o gestor Márcio Barros.

Dentro do Programa Atletas de Alto Rendimento, os jogadores não podem seguir carreira militar. Em vez disso, eles são situados no processo de Serviço Militar Temporário (STM), que tem contrato renovável de ano a ano e pode durar no máximo oito anos. Isso significa que não se tornam uma despesa eterna para o Estado.

E será que eles podem ser convocados no caso de uma guerra? Provavelmente de tanto ouvir essa pergunta, o Capitão Mauro já tem uma resposta na ponta da língua.

- Faço uma pergunta para você: o dia que tiver uma guerra, você vai deixar o país ser invadido, invasores mexerem com a sua família? Você não vai querer se envolver? Eu respondo sempre dessa forma. Se por ventura o país se envolva numa guerra, seria interessante que todas as pessoas se engajassem - responde ele, antes de confirmar que, sim, os jogadores teriam que ir para a batalha.

Fonte: Marcio Menezes e Tébaro Schmidt - Globo Esporte
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